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Segurança privada: Autarca de Cantanhede diz ser arguido por engano

30 de Dezembro 2016 Jornal Campeão: Segurança privada: Autarca de Cantanhede diz ser arguido por engano

Manuel Augusto Santos, autarca de Cantanhede, diz ser devido “a engano” que é arguido num processo do foro criminal relacionado com a actividade de segurança privada.

Ex-presidente da Junta de Freguesia de Sanguinheira e actual líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal de Cantanhede, o autarca sucedeu a um afilhado, Hélder Neves, como proprietário da empresa 365 (com sede em Coimbra).

Manuel Augusto, um dos vários arguidos que foram detidos, terça-feira (27), no âmbito do caso “Punho cerrado”, foi posto em liberdade, hoje, por um juiz de instrução criminal, cabendo-lhe a menos severa das medidas de coacção. De resto, a aplicação de  termo de identidade e residência nem sequer requer a comparência perante um juiz.

À saída do Tribunal, segundo a Agência Lusa, o arguido disse que “tudo (…) não passa de um engano”, alegando que ele e a sociedade 365 foram “confundidos com uma actividade criminosa” com que nada têm a ver.

Santos indicou ter sido estabelecida uma parceria entre a extinta empresa Lexsegur e a 365, mas antes de assumir a gerência da segunda.

“Desconhecia completamente que havia esta actividade com a Lexsegur; somos completamente alheios a isso e tivemos ocasião de o dizer ao juiz; estou aqui por ser o principal rosto da 365”, acrescentou o empresário, precisando que entre os detidos estavam elementos da sua empresa com funções de gestão, igualmente postos em liberdade.

Segundo o ex-presidente de Junta, a sua sociedade não faz segurança ilegal nem incorre em associação criminosa, pelo que “vai continuar a exercer” a actividade de segurança privada.

Para o advogado Vítor Gaspar, o que está em causa neste processo é “um negócio”, datado de 2014, entre a 365 e outra empresa, cujo gerente e proprietário, Paulo Vicente Miguel, foi detido, naquele ano.

A partir daí, segundo o jurista, a segurança exercida pela Lexsegur em Leiria passou para a alçada da 365.

Segundo o portal Notícias de Coimbra, os fundadores da 365 cederam, há dois anos, a maioria do capital social a uma empresa de Hélder Neves, que então possuía a discoteca Twiit através das sociedades Vozes Famosas e Twiit Entertainment.

Vítor Gaspar indicou que o Ministério Público entende ter havido um “recebimento encapotado por parte de antigos responsáveis da Lexsegur”.

O Tribunal de Instrução Criminal de Leiria fixou a mais severa das medidas de coacção, prisão preventiva, a dois dos detidos no âmbito da operação “Punho cerrado”, levada a cabo, pela PSP, em vários distritos.

Dois arguidos (irmãos) postos em prisão preventiva estão sob suspeita de eventual prática de crimes de fraude fiscal qualificada, associação criminosa e exercício ilegal de segurança privada.

A três outros foi imposta a obrigatoriedade de apresentações periódicas a órgãos de polícia criminal. Dois deles são suspeitos de crimes de associação criminosa e de exercício ilegal de segurança privada e um está indiciado de envolvimento em associação criminosa.

Aos restantes cinco arguidos que tinham siso detidos foi aplicado apenas termo de identidade e residência.

Durante as diligências efectuadas na operação “Punho cerrado” foram interceptadas outras sete pessoas, seis por posse de munições e armas brancas e de fogo (ilegais) e uma por ser portadora de droga.