Coimbra  9 de Maio de 2021 | Director: Lino Vinhal

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Rui Rio critica Marta Temido por manter fechado hospital em Miranda do Corvo

22 de Janeiro 2021 Jornal Campeão: Rui Rio critica Marta Temido por manter fechado hospital em Miranda do Corvo

O líder do PSD criticou uma ministra da Saúde que “pede ajuda de forma dramática”, mas mantém fechado “há quase dois anos” um hospital em Miranda do Corvo, um “exemplo lamentável” que questiona se será o único.

“Imagine-se em Portugal um hospital pronto há quase dois anos com os plásticos em cima das camas e dos equipamentos porque o Ministério da Saúde, que pede ajuda, não faz o contrato que deve fazer”, disse Rui Rio, ontem, em declarações aos jornalistas na sede do PSD no Porto.

Rio disse desconhecer se “a razão é política ou pessoal ou partidária”, mas criticou Marta Temido por esta, “com o Serviço Nacional de Saúde (SNS) a rebentar pelas costuras” manter Hospital Compaixão, em Miranda do Corvo, no distrito de Coimbra, fechado.

“A ministra da Saúde vem dizer em público – e tinha-me dito a mim perante o primeiro-ministro numa reunião há 15 dias – que o Hospital Compaixão, pronto e fechado, estava com acordo de 80 camas para servir a população do distrito de Coimbra, quando se veio a verificar que continua fechado”, descreveu Rui Rio, referindo-se a este caso como “um exemplo lamentável”.

E questionou: “Podemos todos estar seguros que não há mais caso nenhum? Não há mais nenhum caso do serviço privado e social que não esteja devidamente articulado?.

Sobre esta matéria, na terça-feira, a ministra da Saúde sublinhou que não há recursos humanos no Hospital de Miranda do Corvo e apelou aos partidos que parem de “enganar os portugueses” quando dizem que a instalação não está a ser aproveitada.

O tema foi levantado pelo deputado único da Iniciativa Liberal, João Cotrim de Figueiredo, na recta final do primeiro debate do ano com o Governo sobre política geral, na Assembleia da República, que durou mais de três horas.

“Não há um hospital onde há camas e onde há espaço, isso não é um hospital. Paremos de enganar os portugueses. Há enfermeiros para mandar para lá? Há médicos para mandar para lá? Não há. Houvesse e seria isso que faríamos agora”, respondeu a ministra.

Mas para Rui Rio não é compreensível que “com o país nesta situação, o Governo não utilize a capacidade instalada toda”.

Numa conferência de imprensa que serviu para reagiu à decisão do Governo de encerrar a partir de sexta-feira todas as escolas, o líder do PSD também aproveitou para fazer um apelo “a todos”.

“Portugal vive uma situação dramática. A situação que Portugal vive não é muito diferente de uma guerra. Temos de estar unidos enquanto nação. Essa união enquanto nação neste momento, traduz-se no cumprimento das regras. Não interessa a cor do Governo. Não interessa se estamos muito, pouco ou nada de acordo com aquilo que é determinado, a obrigação de todos nós é cumprir”, concluiu.

Requerimento no Parlamento

Sobre o não aproveitamento, pelo Serviço Nacional de Saúde, do Hospital Compaixão, em Miranda do Corvo, no âmbito do combate à covid-19, o Grupo Parlamentar do PSD entregou uma pergunta dirigida ao Governo em que questiona a ministra da Saúde sobre se considera “útil ou não” a celebração de uma convenção com a Fundação Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional (FADFP), com vista à disponibilização das 54 camas de internamento.

O PSD sustenta que “apesar do tremendo esforço dos seus profissionais, as Urgências do Hospital dos Covões estão, presentemente, com a sua capacidade de resposta seriamente comprometida, como o ilustra o facto de, no respectivo espaço, dimensionado para cerca de 60 utentes, não raras vezes, permanecer mais de uma centena de doentes à espera de internamento”.

“Neste contexto, não se compreende a razão de não haver, entre o Estado e a FADFP, um acordo de cooperação envolvendo o Hospital Compaixão, similar aos existentes com os hospitais das Santas Casas da Misericórdia, que garanta uma adequada assistência aos utentes do SNS na região Centro, particularmente na actual situação pandémica que o país enfrenta e que, infelizmente, se está a agravar a cada dia que passa” – referem os deputados do PSD.