Coimbra  21 de Outubro de 2021 | Director: Lino Vinhal

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Retirar veículos pesados do centro de Montemor-o-Velho vai custar mais de 10 ME

30 de Junho 2021 Jornal Campeão: Retirar veículos pesados do centro de Montemor-o-Velho vai custar mais de 10 ME

Uma obra estimada em mais de 10 milhões de euros, com um prazo estimado de conclusão de cinco anos, hoje apresentada, quer retirar o tráfego de veículos pesados de mercadorias do centro de Montemor-o-Velho.

A intervenção, que esteve hoje na base da assinatura de um protocolo de entendimento entre as autarquias de Montemor-o-Velho e de Soure, a comunidade intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra e a Infraestruturas de Portugal (IP), consta da construção de um viaduto com quase dois quilómetros (km) de extensão sobre os campos do Baixo Mondego, permitindo a ligação directa da estrada nacional (EN) 347 à autoestrada 14 (A14, de ligação entre Coimbra e a Figueira da Foz).

Intervindo na sessão realizada em Montemor-o-Velho, o vice-presidente da Infraestruturas de Portugal, José Carlos Fernandes, afirmou que “se tudo correr bem, cinco anos poderá ser um prazo razoável” para a obra estar concluída.

Já quanto aos custos envolvidos na construção da chamada Variante Nascente a Montemor-o-Velho – uma via com dois sentidos de tráfego, a desenvolver maioritariamente em viaduto a leste daquela vila do Baixo Mondego e da povoação de Casal Novo do Rio – o vice-presidente da IP recusou, nesta fase, apontar um valor, garantindo, no entanto, que será uma obra “acima dos dois dígitos”.

Segundo José Carlos Fernandes, o cronograma da intervenção prevê o lançamento de um concurso público internacional “já autorizado” para a realização do projecto de execução da empreitada, estimado em cerca de um milhão de euros.

O mesmo responsável disse que o procedimento concursal até à adjudicação deverá demorar cinco a seis meses, a que se somam 16 meses para a realização do estudo prévio, projecto de execução e estudo de impacte ambiental. Os instrumentos ambientais terão, depois, de ser avaliados, o que deverá demorar, na melhor das hipóteses, mais seis meses, ou seja, cerca de três anos até a obra estar em condições de ser lançada, devendo decorrer durante dois anos.

José Carlos Fernandes lembrou que uma obra rodoviária desta dimensão tem, geralmente, um prazo médio de conclusão de seis anos, enquanto numa obra ferroviária esse prazo sobe para sete anos.

A intervenção, notou ainda, decorrerá numa “zona muito sensível” em termos ambientais, por ser zona de cheia e ter de atravessar o chamado leito abandonado do rio Mondego, obrigando ao envolvimento de diversas entidades para a sua concretização.

Destacou ainda o “crescente significativo de tráfego” potenciado pela plataforma rodoferroviária de Alfarelos – infraestrutura logística localizada no concelho de Soure, entre a linha ferroviária do Norte e o ramal de ligação à Figueira da Foz, na fronteira com Montemor-o-Velho – situando-o em “mais de mil comboios por ano”, ou seja, cerca de três por dia, também “sinal claro de desenvolvimento da região”.

Actualmente, os veículos pesados de mercadorias que saem da plataforma logística em direcção a Montemor-o-Velho e dali à A14, cumprem cerca de 6,5 km pela EN 347 e EN 111, atravessando a vila do Baixo Mondego na metade final do percurso.

O presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, Emílio Torrão, aludiu, por seu turno, à actual intensidade “gritante” da circulação de pesados de mercadorias no centro da vila.

De acordo com Emílio Torrão, a plataforma logística (que funciona desde 2016) “entrou em velocidade de cruzeiro há muito pouco tempo”, o que levou, há cerca de três meses, a uma reunião das duas autarquias e da CIM da Região de Coimbra com a IP, no sentido de ser encontrada uma solução.

“A IP percebeu a gravidade do problema e teve uma resposta atempada para se conseguir retirar os veículos pesados de mercadorias do centro da vila. Habitualmente, estes tempos de resposta são muito mais longos”, destacou Emílio Torrão.

O autarca observou que se trata de uma obra “de muitos milhões” e disse não ter havido “nenhuma intervenção de nenhum membro do Governo”.

Para além da obra principal, o director de engenharia da IP, José Faísca, apresentou outra intervenção – esta directamente relacionada com a circulação rodoviária na povoação de Alfarelos, concelho de Soure, e com a melhorias dos acessos à plataforma logística ali situada – que consta de uma nova via, com passagem inferior à linha do Norte e superior ao ramal de ligação à Figueira da Foz.

O projecto de execução está concluído e a obra, orçada em cerca de quatro milhões de euros, deverá ser lançada, segundo a IP, ainda antes do final do ano.