Coimbra  24 de Novembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Restaurantes da Mealhada antevêem impacto “catastrófico” ao fim-de-semana

11 de Novembro 2020 Jornal Campeão: Restaurantes da Mealhada antevêem impacto “catastrófico” ao fim-de-semana

Os restaurantes da Mealhada, conhecidos por servirem o leitão assado da Bairrada, antevêem um cenário catastrófico na facturação se o concelho vier a ser incluído na lista dos municípios mais afectados pela pandemia de covid-19.

O presidente da Câmara, Rui Marqueiro, lançou inclusivamente um apelo às mais altas figuras do Estado para que o horário de funcionamento nos fins-de-semana de confinamento fosse estendido até às 15h00, antevendo a inclusão do concelho naquela lista.

Já hoje, o primeiro-ministro, António Costa, afastou essa possibilidade.

De acordo com o autarca, o Município regista mais de 400 casos de infecção por covid-19, reunindo assim os requisitos para ser abrangido pelas medidas mais penalizadoras de combate à pandemia.

“Um restaurante na Mealhada não pode fechar às 13h00 ou então não abre, porque não servimos pequenos-almoços de leitão”, ironizou Sandra Alves, proprietária do restaurante Pic-Nic dos Leitões, aberto há 40 anos e que emprega 12 funcionários num espírito de família.

Em declarações à agência Lusa, a empresária considera que a alteração do horário de confinamento “fazia toda a diferença”, na medida em que a probabilidade de servir refeições até às 15h00 “é muito maior do que servir até às 13h00”.

Segundo Sandra Alves, a restauração da Mealhada vive muito dos clientes de fora do concelho, sobretudo do Norte, pelo que “qualquer confinamento naquela área geográfica e os restaurantes notarão logo a diferença”.

António Paulo Rodrigues, responsável do restaurante Rei dos Leitões, considera que o recolher obrigatório a partir das 13h00 “vai piorar muito a situação da restauração”.

“Vai ser um grande revés, num ano que já estava a ser muito mau, porque fechando às 13h00 poucas ou nenhumas refeições vamos servir no restaurante”, enfatizou o empresário, que há 10 anos trocou a banca pela gestão do restaurante familiar, aberto desde 1947 e que emprega 18 pessoas.

No restaurante O Castiço, em funcionamento desde 1975, a gerente Carla Carvalheira antevê um “cenário catastrófico” num sector que “tem estado muito difícil, a cair abruptamente desde há três semanas”.

Salientando que o recolher obrigatório às 13h00 vai “piorar a situação”, a empresária sublinha que os restaurantes estarem abertos até às 13h00 “não faz sentido nenhum”.

“O mês de Novembro é para esquecer”, desabafa Carla Carvalheira, considerando que o prolongamento até às 15h00 “não ia adiantar grande coisa, porque o forte é todo o fim de semana”.

Mesmo ao lado, no restaurante Couceiro dos Leitões, aberto desde 1952, Carla Couceiro refere à que o recolher obrigatório “não abona nada de bom no futuro para ninguém”.

Já com as medidas em vigor e as limitações de circulação no fim de semana do Dia de Todos os Santos a situação “era má, com pouco movimento, mas em que ainda se conseguia facturar alguma coisa para pagar as despesas fixas, que são muitas”.

“Vai ser um período muito difícil e nós estamos numa casa em que não precisamos de pagar renda, imagine-se quem tem de pagar””, enfatiza Carla Couceiro, que via com bons olhos o alargamento do período de fecho, “porque assim seria possível fazer os almoços normalmente e isso seria uma grande ajuda”.

Os responsáveis de restaurantes ouvidos pela agência Lusa destacaram que os meses de Verão, sobretudo Agosto, ultrapassaram as expectativas em termos de facturação, com alguns a baterem recordes de facturação diários.

Aqueles empresários descartam, para já, qualquer possibilidade de despedimentos.

O Governo anunciou o recolher obrigatório entre as 23h00 e as 05h00 nos dias de semana, a partir de segunda-feira e até 23 de Novembro, nos 121 municípios mais afectados pela pandemia, sendo que, ao fim-de-semana, o recolher obrigatório inicia-se a partir das 13h00 nos mesmos 121 concelhos.