Coimbra  22 de Setembro de 2021 | Director: Lino Vinhal

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República dos Galifões reconhecida como entidade de interesse histórico e cultural

7 de Setembro 2021 Jornal Campeão: República dos Galifões reconhecida como entidade de interesse histórico e cultural

O Executivo da Câmara Municipal (CM) de Coimbra aprovou, na sua reunião de ontem, uma proposta de reconhecimento da Associação República dos Galifões como entidade de interesse histórico e cultural ou social local. O Executivo já tinha aprovado, na sua reunião de 9 de Novembro do ano passado, a intenção de candidatura da República dos Galifões, tendo a decisão sido submetida a um período de consulta pública de 20 dias. Esse período terminou sem que desse entrada na autarquia qualquer sugestão ou participação pública sobre o processo. Com a conclusão deste processo, a Câmara Municipal já reconheceu 20 entidades de interesse histórico e cultural ou social local.

A Associação República dos Galifões indica como data da sua fundação, na sua ficha de candidatura, o ano 1947, sendo apresentadas evidências que atestam que a república tem, pelo menos, mais de 25 anos de existência e que teve uma importante participação nas crises académicas dos anos 60. Na crise de 1962, Francisco Leal Paiva, repúblico dos Galifões, era presidente da Direcção-Geral da Associação Académica de Coimbra e acabou expulso de todas as escolas nacionais por um período de dois anos, devido à realização do I Encontro Nacional de Estudantes. Há ainda elementos, cartas e relatórios da PIDE, que atestam a prisão de Galifões nesses anos que vão de 62 a 69, existindo ainda, alusivo a este período, um mural pintado numa das paredes da casa que faz referência ao Dia do Estudante, comemorado em 1962.

É, assim, atestada a sua longevidade e relevância histórica no contexto académico e tradicional de Coimbra, com mais de setenta décadas, destacando-se o papel desempenhado pelos seus membros nas crises de 1962 e 1969, bem como, nos documentos apresentados, é evidenciado “o seu envolvimento na vida cultural e festiva dos estudantes da Universidade, quer pela participação nas festas académicas, quer pela organização de eventos socioculturais, que vão desde a confraternização de antigos e actuais repúblicos à organização de iniciativas de divulgação da Canção de Coimbra”, lê-se na informação técnica dos serviços municipais. A informação destaca ainda a valorização que a república prestou à sua identidade, traduzida na adopção e manutenção de uma bandeira, um hino e um logotipo próprio, e a forma como as sucessivas gerações tornaram a sua sede num espaço de liberdade e confraternização, com a realização, entre outros eventos, dos anuais Centenários.

Considera-se, ainda, que a República dos Galifões é “um espaço baluarte de preservação da memória da vivência académica nos anos de mais intensa contestação política, fruto de forte convívio e solidariedade dentro da comunidade académica”, constituindo, assim, um inegável património imaterial da história académica de Coimbra do século XX, registado em testemunhos escritos e fotográficos de sucessivas gerações de repúblicos, lê-se na mesma informação, que realça também o esforço da República dos Galifões na manutenção e preservação do seu património material, nomeadamente no que diz respeito às pinturas murais interiores e ao seu espólio documental.