Coimbra  17 de Maio de 2022 | Director: Lino Vinhal

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Reportagem:Coro dos Pequenos Cantores de Coimbra brilha ao som de jovens sonhadores 

16 de Abril 2022 Jornal Campeão: Reportagem:Coro dos Pequenos Cantores de Coimbra brilha ao som de jovens sonhadores 

Nasceu da vontade de dar voz aos mais novos e hoje, constituído por crianças e jovens, é um dos grupos mais conceituados da região de Coimbra. Fundado em 1982, tem no seu currículo um percurso internacional invejável que não é esquecido pelos quatro cantos do mundo. Conta já com seis CD’s editados e quer mostrar que a cultura coral é fundamental no desenvolvimento das crianças. A viver tempos incertos, o Coro dos Pequenos Cantores de Coimbra representa a bravura e determinação de uma comunidade infanto-juvenil.

Fundado em Outubro de 1982, o Coro dos Pequenos Cantores de Coimbra nasceu por indicação de Lucinda Ferreira, a primeira presidente. Inicialmente o grupo surgiu com o propósito de apoiar a Gala Internacional dos Pequenos Cantores da Figueira da Foz, no entanto, a vontade e o desejo de formar um coro infanto-juvenil falou mais alto e rapidamente, a responsável juntamente com os pais de algumas crianças, reuniu esforços e levou avante a criação do Coro dos Pequenos Cantores de Coimbra.

Dado o primeiro passo, e depois de encontrar o maestro José Firmino, que viria a estar no coro durante 24 anos, o caminho foi-se traçando com grandes conquistas.

Formado por crianças desde os cinco anos, o Coro dos Pequenos Cantores recebe coralistas até que estes tenham idade para entrar na Faculdade. No entanto, Maria do Céu, actual presidente, refere que “nada impede que o jovem fique mais um ou outro ano” porque, no fundo, “acaba por gostar da vida do coro, do convívio social e das viagens”.

O grupo interrompeu a actividade aquando do início da pandemia, em Março de 2020. A responsável esclarece que o coro, sendo uma Associação de Pais, vive das quotas dos seus elementos e que “não havendo coralistas suficientes” seria um risco voltar e ficar sujeito a baixas repentinas. Embora tenha tentado os ensaios online, a responsável de Direcção afirma que “a actividade coral é uma actividade social e não individual”.

“É uma situação muito incerta para tomarmos decisões e compromissos que são pouco permanentes”, disse a presidente, adiantando que “não se retoma enquanto não houver certezas” quanto à situação pandémica.

Intercâmbios internacionais 

Com a pandemia o sector cultural foi um dos mais afectados, tendo obrigado ao cancelamento e encerramento de salas e espectáculos. O mesmo aconteceu com o coro que viu toda a sua agenda cultural ser adiada.

Na altura do surgimento da covid-19, os Pequenos Cantores preparavam um intercâmbio nacional com um coro português que viria, então, a ser adiado, mas esperam ainda poder realizá-lo. O coro de Coimbra destaca-se sobretudo pela sua trajectória internacional, tendo no seu currículo um vasto leque de países onde, por norma, de dois em dois anos se desloca para um período de intercâmbio (que pode variar de três dias a uma semana ou mais, consoante a disponibilidade e interesse de ambas as partes). Espanha, França, Itália, Alemanha, Luxemburgo são alguns dos países já percorridos.

No ano que não se deslocava para fora do país, o coro acolhia um grupo estrangeiro, que permitia, assim, a troca de experiências e a interacção com a cultura portuguesa, acabando por criar contactos que permitem abrir portas a novas aventuras e trocas de conhecimento.

“Quarenta anos de actividade faz com que tenhamos muitos contactos com outros coros e outros tantos que tenham contacto connosco e conheçam o nosso trabalho, por isso os convites estão sempre a chegar”. Em cima da mesa, a Direcção tem um convite para, assim que retomar actividade, voltarem a Itália para a realização de mais um encontro.

Contudo, a presidente afirmou ao “Campeão” que este regresso vai ser ainda um processo de cautela, uma vez que há a necessidade de preparar novamente o coro. “Isto acaba por ser um reinício de formação, porque os coros, de certa maneira, acabam por ficar desmantelados com estas paragens, tem de se voltar a formar um grupo e não é de um dia para o outro que as crianças ficam com a voz trabalhada, tem de se afinar o coro. Será um reinício, mas com a alegria de continuação, pois voltaremos a ter a direcção artística a cargo do maestro Paulo Bernardino”.

 

Sétimo CD é objectivo

O grupo misto, que usa o Auditório da Escola Secundária José Falcão para a realização dos ensaios, tem já seis CD’s editados, tendo o último (“Alegria”), sido lançado em 2011. Participou em vários outros como por exemplo no “Órgão +”, editado pela Universidade de Coimbra em 2014 e no “O Gato das Botas”, do compositor Vasco Negreiros, editado pela MpMp em 2017.

No entanto, um sétimo CD pode estar para breve. “Contamos gravar um sétimo CD, se tudo voltar ao normal”, confessa Maria do Céu. O Coro dos Pequenos Cantores de Coimbra, que canta em várias línguas, tem um programa muito “próprio e rico”. A presidente destaca os dois maestros, José Firmino e Paulo Bernardino, que dirigiram o coro durante muitos anos e que, além dessa função, são também compositores, tendo desta forma contribuído para os arranjos e criação de músicas. “Só daí temos uma riqueza muito própria que muitos outros coros não têm porque temos um repertório que foi pensado especificamente para o coro”.

O grupo, que se faz acompanhar por uma diversidade de instrumentos, como o piano, flauta doce, passando pelos instrumentos de percussão e tradicionais, transmite um repertório “transversal, desde a música erudita e contemporânea à música do mundo”.

 

Falta de cultura coral

Embora o coro tenha uma grande afluência por parte dos jovens, Maria do Céu reconhece que existe, ainda, uma grande dificuldade por parte dos pais em perceber a importância que o canto tem no desenvolvimento das crianças e dos jovens.

Há uma “falta de cultura coral no país” e que, infelizmente, os pais também não estão “abertos” a esse conhecimento. “Facilmente, se falar em música, os pais pensam na aprendizagem instrumental e não no canto como um dos instrumentos mais importantes”, sublinha.

Dessa forma, um dos objectivos que o grupo pretende atingir é proporcionar essa informação junto dos encarregados de educação para que estes conheçam melhor a verdadeira função coral. “Um dos nossos grandes objectivos é estimular o canto coral e despertar nas crianças e jovens o gosto pelo canto. É, também, dar a conhecer esta necessidade e a importância que tem no desenvolvimento e para isso direccionarmo-nos mais para os encarregados de educação”.

 

Cristiana Dias

»» [Reportagem da edição impressa do “Campeão” de 14/04/2022]