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Reportagem: Milho do Mondego é “do melhor que existe na Europa”

26 de Novembro 2016 Jornal Campeão: Reportagem: Milho do Mondego é “do melhor que existe na Europa”

No Baixo Mondego é tempo de colheitas. Os cerca de 6 000 hectares de milho, semeados nos meses de Março e Abril, estão agora a ser colhidos e nem a Primavera chuvosa, que acabou por atrasar este processo, foi razão para baixar a qualidade do produto, “que é sempre extraordinária”.

Devido a este atraso nas colheitas, que já deveriam ter acabado, mas que vão continuar durante mais uma ou duas semanas, a quantidade de milho, este ano, irá ficar “ligeiramente abaixo, cerca de cinco a 10 por cento, na produção unitária por hectare”, revela Pedro Pimenta, presidente da Cooperativa Agrícola de Coimbra, acrescentando que, em termos de volume global, será possível obter uma maior quantidade, devido à contribuição de duas novas áreas, que no ano passado estavam a ser emparceladas: os terrenos da margem esquerda e os campos do Bolão. A Cooperativa espera, assim, atingir as 14 ou 15 000 toneladas este ano. “Há agricultores que podem chegar às 16 ou 17 toneladas por hectare”, o que representa o dobro da média nacional, que se situa nas oito toneladas.

“O nosso milho é um produto apetecível para todos os industriais, até pelas condições agronómicas, pelos nossos terrenos, os sistemas de rega e todas as infra-estruturas criadas, bem como o saber-fazer dos nossos sócios e dos agricultores do Mondego, que têm já um nível bastante elevado de competitividade”, explica Pedro Pimenta, realçando que no Baixo Mondego se faz “milho do melhor que existe na Europa, tanto em termos de qualidade como em termos de produtividade por hectare”.

Também a nível tecnológico, os agricultores desta região estão na vanguarda do que se faz no estrangeiro, contudo, com equipamentos adequados à sua dimensão. A Cooperativa Agrícola de Coimbra foi, inclusive, pioneira na utilização de semeadores pneumáticos há já cerca de 30 anos. Hoje, além destes, utilizam-se tractores bastante sofisticados, semeadores de precisão e sistemas de pulverização de espalhamento de herbicida e insecticida muito avançados.

Com cerca de 400 produtores de milho, o negócio deste cereal ronda, por ano, os três milhões de euros. No Mondego, o forte da produção é o milho dentado, que serve para as rações de animais, e, em menor quantidade, o milho miúdo, produtos que vendem para indústrias de todo o país.

Importações impedem preço justo

Por ser uma cultura anual, Portugal não é auto-suficiente, o que obriga a recorrer às importações (que representam cerca de 70 por cento) para responder às suas necessidades. É, precisamente, devido ao excesso de importações e dos preços praticados pelos fornecedores estrangeiros que a produção de milho, principalmente no Baixo Mondego, “tem vindo a perder dinheiro, consecutivamente, desde há quatro anos”.

“Não temos problemas em escoar o produto, o real problema é não termos um preço mínimo competitivo, de forma a mantermos os agricultores no Mondego”, lamenta o presidente da Cooperativa. “Estamos a criar um nível de endividamento do agricultor que se irá reproduzir nos próximos anos”, realça, alertando para a imprescindível ajuda dos agrupamentos de produtores e/ou das Cooperativas do Mondego, que vão aguentando a situação financeira, até se chegar “a um ponto de ruptura”.

Os preços do milho, em 2016, estão de acordo com os praticados nos últimos anos, situando-se entre os 166 e os 170 euros por cada tonelada. O ideal “era andar perto dos 200 euros, o ‘break-even’ desejado por todos”, explicou o responsável.

A crítica pela falta de negociação dos preços é feita aos industriais portugueses que “deveriam ser mais patrióticos e proteccionistas em defesa do produtor português”, nomeadamente, “durante a campanha nacional”, em que é colhido o milho. A questão está no preço competitivo do produto que chega aos portos portugueses, proveniente do continente americano e do Mar Negro, que influencia os preços a que os produtores nacionais podem vender o seu milho e que ficam abaixo do preço de custo.

“Os industriais sabem da excelente qualidade do nosso milho, que tem índices de produtividade muito superiores, e nem por isso dão uma majoração a essa importante característica”, lamenta Pedro Pimenta.

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A modernização tecnológica dos produtores do Mondego está ao nível europeu