Coimbra  28 de Janeiro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Região de Coimbra investe 573 000 euros contra as espécies invasoras

19 de Dezembro 2019

Raul Almeida, Carlos Alexandrino e Jorge Brito

 

Oito câmaras da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIM/RC) vão desenvolver, até final de 2021, um projecto de prevenção, controlo e erradicação de espécies exóticas e invasoras orçado em 573 000 euros.

O projecto engloba os municípios de Mira, onde ontem foi apresentado o projecto, Cantanhede, Montemor-o-Velho, Soure, Góis, Vila Nova de Poiares, Tábua e Figueira da Foz, sendo este último aquele que concentra a maior área de actuação, representando 87,7 por cento (1 895 hectares) do total de 2 159 hectares de intervenção.

Na ocasião, o presidente da Câmara de Mira, Raul Almeida, frisou que a iniciativa, desenvolvida entre a CIM/RC e os oito municípios envolvidos, em parceria com a Agência Portuguesa do Ambiente, a Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva (EDIA) e o Centro de Ecologia Funcional da Universidade de Coimbra (UC), tem como objectivo último determinar uma “forma de erradicação de algumas espécies invasoras, como as acácias [flora terrestre] ou os jacintos-de-água [flora aquática]”.

Questionado sobre se o objectivo de erradicação das acácias e jacintos-de-água não é habitualmente considerado impossível pela comunidade científica, dada a sua grande disseminação territorial e as próprias características das espécies em causa (por exemplo as sementes que se mantêm nos cursos de água mesmo que estes sejam limpos), o autarca acabou por admitir que sim e que a erradicação seria “o cenário ideal”.

Presente na sessão, Elizabete Marchante, investigadora do Centro de Ecologia Funcional da UC, confirmou que com a sua disseminação territorial “ninguém vai conseguir em dois anos erradicar jacintos e acácias”.

A intervenção proposta pelo projecto sobre essas invasoras específicas passa por “controlar as existentes” – referindo o exemplo da situação nos canais adjacentes ao rio Mondego em Montemor-o-Velho – e “não as deixar chegar” a novos cursos de água.

“Erradicar é palavra que só se usa para espécies invasoras que estão a chegar de novo [ao território]”, argumentou Elizabete Marchante.

O plano, apresentando por Jorge Brito, secretário-executivo da CIM/RC, inclui, entre outros objectivos, o controlo de espécies exóticas invasoras, “a avaliação da eficácia das metodologias aplicadas”, e a prevenção e detecção precoce, “através de soluções inovadoras de monitorização”.

O projecto inicia-se em 02 de Janeiro de 2020 e decorre até 31 de Dezembro de 2021, implicando um investimento de cerca de 573 000 euros, que vai custear, entre outras acções, a aquisição de uma ceifeira anfíbia capaz de laborar em meio aquático, mas também em terra, nas margens de lagoas e cursos de água, em valas e canais e cuja utilização será extensível aos oito municípios envolvidos.

O investimento engloba ainda a aquisição de barreiras flutuantes, um ‘drone’ para monitorização da aérea, caixas estanques ou armadilhas para lagostins, e a realização de um congresso internacional e acções de sensibilização para a problemática das espécies invasoras.

O plano incide, maioritariamente, na prevenção, controle e erradicação da flora aquática – total de 1 900 hectares, distribuídos pelos municípios da Figueira da Foz (1 755), nomeadamente na zona do estuário do rio Mondego, barrinha e lagoa de Mira (72 hectares), Montemor-o-Velho (28 hectares) e Soure (25 hectares).

Já a fauna aquática envolve 100 hectares relacionados, nomeadamente, com as invasões de lagostins no município da Figueira da Foz, enquanto a flora terrestre representa 159 hectares, 40 cada na Figueira da Foz, Mira e Cantanhede, concretamente nas zonas em redor da Lagoa da Vela e Mata Nacional de Quiaios e Dunas de Mira, Gândara e Gafanhas, 12 hectares em Vila Nova de Poiares para controlo da acácia mimosa, 11 no Paul da Madriz, em Soure, nove hectares em Tábua e sete hectares na Mata da Oitava, em Góis.

Presente na sessão, o presidente da CIM/RC e autarca de Oliveira do Hospital, José Carlos Alexandrino, afirmou que a iniciativa prova que se tem desenvolvido em Portugal “o princípio de uma nova política e uma nova mentalidade” com projectos supramunicipais que levam a que as fronteiras dos concelhos se venham a “dissipar”.

“Queremos com este projecto alcançar resultados práticos e também resultados científicos”, acrescentou José Carlos Alexandrino, sublinhando que a “experiência” da Região de Coimbra poderá estender-se, no futuro, a outros territórios do país.

 

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