Coimbra  7 de Julho de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Região Centro ergue o copo ao vinho

28 de Novembro 2016 Jornal Campeão: Região Centro ergue o copo ao vinho

As comissões vitivinícolas da Beira Interior, Bairrada, Dão, Lisboa e Tejo juntaram-se para desenvolverem um plano estratégico da fileira do vinho na região Centro, apoiado em três milhões de euros de fundos comunitários.

Estas regiões, em conjunto, têm cerca de 37 por cento da área total de vinha existente em Portugal e 35 por cento da produção de vinho nacional, com o Centro a exportar entre 40 a 50 por cento da sua produção.

A constituição do projecto Denominações de Origem do Centro aconteceu, ao final da tarde, na Quinta das Lágrimas, em Coimbra, com Ana Abrunhosa, presidente da CCDRC, a sublinhar que “ninguém perde identidade por trabalhar em conjunto”.

Este plano estratégico, que terá o apoio do Programa Operacional Centro 2020, pretende apoiar a cadeia de valor dos vinhos, desde os recursos naturais até à promoção junto do consumidor final. Congregar os esforços das cinco CVR da Região Centro, intensificando as colaborações e reforçando o trabalho em rede, quer ao nível da inovação quer do desenvolvimento tecnológico na produção dos vinhos, deverá ser um dos principais resultados da concretização deste programa, que pretende reforçar o peso na economia regional da fileira do vinho e afirmar a nível nacional e internacional o Centro como uma região vitícola.

Ana Abrunhosa explicou que “apesar de já ter sido realizado muito trabalho nos últimos anos nesta fileira, existe muito potencial ainda por explorar”. “Este programa de acção deverá contribuir para aumentar a competitividade do sector, mas também para fomentar a sua internacionalização e notoriedade, estimular a aposta na inovação e na diferenciação e favorecer a capacidade de gerar emprego e riqueza”, acrescenta.

“Um dos activos mais importantes da região Centro é a diversidade e riqueza dos seus territórios vinhateiros e este programa pretende criar as condições para que todos eles se possam afirmar no seu carácter único e distintivo e contribuir decisivamente para o desenvolvimento económico da região Centro”, acentuou Ana Abrunhosa.

A presidente da CCDRC explicou que “não se trata de uma estratégia única, mas que respeita a identidade e as especificidades das regiões vitivinícolas em áreas onde é possível aproveitar sinergias e potenciar complementaridades, como sejam as da I&D, as da promoção internacional, do enoturismo, entre outras”.

O plano representa 3,5 milhões de euros de investimento total, dos quais três milhões são financiamento do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), cabendo aos privados um encargo de 500 000 euros, sendo de destacar que um milhão de euros destina-se à inovação.

Bebe-se menos mas melhor

Em 1970, quando a população de Portugal rondava os 10 milhões de pessoas, cada uma “bebia em média 85 litros de vinho por ano”, disse, por seu lado, o presidente da Comissão Vitivinícola de Lisboa, Vasco Avilez, a quem coube apresentar o plano estratégico, que junta pela primeira vez as cinco CVR do Centro.

“Hoje, bebe-se menos, mas bebe-se melhor”, sublinhou, explicando que cada português consome actualmente uma média anual de 42 litros de diferentes vinhos.

Com 240 000 hectares de vinha plantada, nas diferentes regiões vitivinícolas, Portugal produz sete milhões de hectolitros (700 000 milhões de litros) de vinho. Destes, quatro milhões de hectolitros de vinho são consumidos no mercado interno, enquanto o restante se destina à exportação, no valor de 1 000 milhões de euros, enfatizou Vasco Avilez.

Presente na apresentação, o ministro da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural, Capoulas Santos, defendeu a aposta na vitivinicultura enquanto sub-sector da agricultura portuguesa com maior vocação exportadora.

“Este é um sector cuja dinâmica nos deve orgulhar”, disse Luís Capoulas Santos, considerando que “faz todo o sentido apostar no sector vitivinícola, para honrar o passado, mas também numa perspectiva de futuro”.

No sector vitivinícola, Portugal “situa-se entre os 10 primeiros países do mundo”, realçou o ministro da Agricultura, ao classificar o plano como “opção estratégica muito válida”.

O projecto Denominações de Origem do Centro envolve as comissões vitivinícolas da Beira Interior, da Bairrada, do Dão, de Lisboa e do Tejo (estas só no território que pertence à CCDRC), o Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária e os institutos politécnicos de Castelo Branco e de Viseu.