Coimbra  23 de Outubro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Reedição do livro “A Guerra Peninsular” é apresentada no Café Santa Cruz

30 de Setembro 2020 Jornal Campeão: Reedição do livro “A Guerra Peninsular” é apresentada no Café Santa Cruz

O Grupo de Arqueologia e Arte do Centro (GAAC) reeditou o livro “Guerra Peninsular, notas, episódios e extractos curiosos” do General Martins de Carvalho, que será apresentado esta quinta-feira (01), no Café Santa Cruz, pelas 18h45.

A nova edição trata-se de uma versão fac-similada que apresenta uma reprodução exacta da original, de 1910, incluindo fontes de letras, escalas, ilustrações, diagramação e paginação.

Se as histórias ligadas ao Convento de São Francisco e também ao Mosteiro de Santa Clara são mais conhecidas, há outros episódios coevos que se desenrolaram em Coimbra e se encontram retratados no livro de Francisco Augusto Martins de Carvalho intitulado “Guerra Peninsular, notas, episódios e extractos curiosos”.

O GAAP reedita, assim, a obra para um melhor entendimento contemporâneo da ‘Guerra Peninsular’ e as suas implicações na história de Portugal.

 

O programa do evento encontra-se de seguida:

18h45 – Apresentação do livro “Guerra Peninsular, notas, episódios e extractos curiosos” por:

  • João Paulo Almeida e Sousa (sócio GAAC)

19h00 – Conferência “A Guerra Peninsular e a Revolução Liberal de 1820” com:

  • Doutora Isabel Vargues (Professora História FLUC)
  • Coronel Luís Sodré de Albuquerque (Diretor Museu Militar)

20h00 – Jantar Temático

 

As tropas francesas de Napoleão estiveram estacionadas em Coimbra de 10 a 04 de Outubro de 1810 após a derrota na Batalha do Buçaco, tendo exercido violenta acção de pilhagem na cidade, depois da debandada da população à sua chegada.

É mais conhecido o episódio da ocupação do convento de Santa Clara, que terá servido de quartel e hospital, onde terão estado 3 000 feridos franceses que ficaram naquele local após o avanço das tropas francesas em direcção a Lisboa, vindo a render-se depois ao Coronel Trent, sendo que grande parte deles vieram a ser mortos pelas milícias portuguesas e pela população como forma de retaliação.

A este propósito, um extracto das “Campanhas do Exército de Portugal. 1810 (do francês M. Gingret, Livros Horizonte, 2010)”, conta como os feridos franceses da batalha do Buçaco foram deixados pelos seus camaradas na cidade de Coimbra, que foi saqueada, para depois sofrerem actos de violência por parte da milícia portuguesa que recuperou a cidade, comandados pelo Coronel Trent.

Do mesmo modo o General Conde de Marbot, nas suas “Memórias sobre a 3.ª invasão francesa, (edição Caleidoscópio, 2006)” relata os mesmos acontecimentos de forma coincidente.

Na verdade, em 2011 os achados arqueológicos decorrentes das obras de requalificação do antigo Convento de São Francisco foram notícia nos jornais locais e nacionais, tendo-se encontrado centenas de esqueletos que correspondem aos restos mortais e outros despojos que se julga poderem pertencer também a soldados franceses, sublinhando-se o interesse da autarquia e da diplomacia francesa nos diversos vestígios arqueológicos identificados.