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Rastreio cancro da mama permitiu reduzir mortalidade na região Centro

19 de Janeiro 2018

“Uma redução significativa na mortalidade por cancro da mama” é o que se tem vindo a registar na região Centro, declarou o Carlos Oliveira, presidente do Núcleo Regional do Centro da Liga Portuguesa Contra o Cancro (NRC – LPCC).

A instituição celebra 50 anos amanhã (19) e destaca-se “numa área em particular que é o rastreio do cancro da mama”, iniciado em 1990 e que há vários anos tem cobertura total na zona Centro. Contudo, só ao fim de 25 anos foi possível apurar o impacto desta acção da Liga, que se traduziu numa “diminuição significativa da mortalidade, que é o grande objectivo do rastreio, e isso já foi provado por estudos realizados e publicados, em que há efectivamente uma redução da mortalidade”, adiantou, à agência Lusa, o presidente da LPCC.

A região Centro foi, de resto, pioneira no país no rastreio organizado do cancro da mama, 10 anos antes dos núcleos do Norte e Sul.

“Infelizmente, até hoje, a zona da grande Lisboa e península de Setúbal não têm rastreio de cancro da mama”, disse Carlos Oliveira, considerando esta situação “uma vergonha, porque todos os anos os políticos dizem que o rastreio vai arrancar e não arranca”.

Apesar dos resultados positivos, o responsável estimou que, em Portugal, até 2030, o cancro da mama cresça 17 por cento, o da próstata entre 35 a 40 por cento e o do intestino (colorretal) mais de 30 por cento em homens e mulheres. Para o especialista, “há que desenvolver efectivamente rastreio em áreas em que são tecnicamente possíveis”.

Carlos Oliveira considera que, no caso do cancro colorretal, é “necessário pôr a funcionar o rastreio”, salientando que, neste momento, desde há três ou quatro anos, existem alguns projectos-piloto nalguns centros de saúde da zona Centro e pouco mais”. Actualmente, “as mulheres morrem mais de cancro do intestino do que do cancro da mama”, sublinhou Carlos Oliveira, apelando a uma maior atenção e vigilância deste órgão.

O NRC – LPCC presta acompanhamento aos doentes oncológicos, aos seus familiares e cuidadores, através do voluntariado hospitalar, e dá apoio social directamente aos doentes, em áreas como os transportes, alojamento, alimentação, medicamentos e outras dificuldades que possam eventualmente surgir no âmbito do ambiente familiar.

Segundo o presidente, os apoios sociais atribuídos anualmente pelo núcleo do Centro rondam os 350 000 euros.

Já o voluntariado, “outra área importantíssima”, que faz funcionar a Liga, tem aumentado e envolve actualmente 2 000 pessoas, o que faz dele o maior do país, distribuídas por 78 grupos locais, que funcionam em todos os concelhos da região Centro. São eles os responsáveis pelo peditório anual que rende cerca de 600 000 euros, adiantou o presidente do Núcleo, que, o ano passado, face aos incêndios, esperava uma redução de 20 por cento daquele valor, mas que apenas contabilizou um decrescimento de cinco por cento.

Na passagem dos 50 anos de actividade, o Núcleo do Centro destaca, ainda, as acções de educação para a saúde, que “tem sido algo muito importante”, as consultas gratuitas de psico-oncologia e o apoio jurídico a doentes, que contabilizou 300 atendimentos em 2017, e o voluntariado ocupacional, que aproveita a arte a favor da recuperação dos doentes.

Este sábado (19), as comemorações dos 50 anos incluem uma homenagem aos médicos fundadores Dário Cruz e Rocha Alves, responsáveis pelo arranque da campanha de rastreio de cancro da mama.

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