Coimbra  17 de Novembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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PSD desafia Governo a lançar concurso para a nova maternidade

26 de Agosto 2019

A concelhia de Coimbra do PSD desafiou, hoje, a ministra da Saúde, Marta Temido, a lançar o concurso para a concepção da nova maternidade da cidade, num edifício de raiz “sem adaptações” e já em Setembro.

“A construção da nova maternidade em Coimbra tem de acontecer no mais curto espaço de tempo, pois o plano funcional está concluído e é uma prioridade total”, salientou, hoje, o presidente da concelhia, Nuno Freitas, após uma reunião com o conselho de administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) e com a Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM).

A recente falta de obstetras na maternidade de Bissaya Barreto, que colocou em causa o encerramento da urgência daquela unidade, durante a noite de hoje, – e foi resolvido com a substituição por outros colegas – motivou o encontro entre os três intervenientes.

Após a reunião, Nuno Freitas afirmou que há “um sinal evidente de pré-rutura do serviço de obstetrícia, que teve agora o seu momento demonstrativo, mas que vai ter outros no futuro”, sublinhando que esta situação é o resultado do “desinvestimento continuado no capital humano”. Para o social-democrata, em Coimbra são necessários mais 15 obstetras, além de médicos neonatologistas e pediatras, sem solução à vista.

Frisando que o caso da falta de especialistas nas maternidades “tem de ser visto como um caso de emergência de saúde pública”, o dirigente sublinhou que Coimbra tem um dos três serviços perinatais diferenciados do país, que serve toda a região Centro.

“Perder quatro anos como perdemos, em discussões absolutamente estéreis em volta da construção da nova maternidade, resulta nisto, numa resposta totalmente deficitária à população que se vai agravar”, anteviu.

Já a cabeça de lista do PSD por Coimbra, Mónica Quintela, sublinhou que “quando a falta de um obstetra causa o encerramento de um serviço de urgência de uma maternidade estamos perante a pré-ruptura total do SNS”.

Para o PSD, as graves carências de obstetras são “inaceitáveis, com consequências inevitáveis no bom funcionamento dos serviços, colocando, consequentemente, em causa a segurança e vida de tantas mulheres que acorrem a esta unidade de saúde materno-infantil e dos recém-nascidos”.

É, por isso, importante para toda a região Centro e para o país “a diferenciação qualitativa das maternidades de Coimbra que servem famílias, grávidas e recém-nascidos, com valências únicas de grande complexidade clínica”.

E adianta: “a verdade é que temos vindo a assistir ao encerramento das urgências de maternidades por todo o país, o que vem reforçar a ideia de ruptura dos serviços públicos de saúde, matéria que o PSD tem vindo sistematicamente a denunciar. Para quem, como este Governo, tanto propala a defesa do SNS, fica mais uma vez evidente, que é a este que se deve a maior deterioração dos serviços de saúde desde a sua implementação”.

A ministra da Saúde também é “alvo” do descontentamento, considerando que a sua “inacção desgovernativa insiste em tratar as duas maternidades como se fossem apenas uma com fecho programado de serviços obstétricos e perinatais em Coimbra”, conforme tem alertado a Ordem dos Médicos, e no “absoluto desprezo no investimento urgentíssimo numa nova maternidade em Coimbra”.

“As respetivas unidades estão a funcionar muitas vezes no limite, bastando haver uma baixa de um médico para colocar em causa todo o funcionamento do serviço”, referiu, em comunicado, a SRCOM.

Segundo a agência Lusa, a Administração do CHUC está ainda a desenvolver todos os esforços para que a urgência da mesma maternidade não encerre no sábado.

 

Médicos denunciam escalas abaixo dos mínimos

 

O secretariado regional do Centro do Sindicato Independente dos Médicos (SIM) exigiu, hoje (26), que o Governo resolva com “máxima urgência” a falta de obstetras nas maternidades de Coimbra.

“A não atribuição de vagas suficientes de obstetras tem consequências inevitáveis para o funcionamento eficaz e eficiente do serviço e irá causar prejuízos às grávidas da região Centro”, refere a estrutura sindical, em comunicado enviado à agência Lusa.

O sindicato lamenta que as grávidas sejam “obrigadas a recorrer à urgência da Maternidade Daniel de Matos, que também tem falta de recursos”.

A estrutura regional considera que esta “não poderá ser a solução, pois não haverá capacidade de resposta adequada às necessidades”.

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