Coimbra  20 de Setembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

PSD de Coimbra questiona posições do PS e do Governo sobre os Covões

9 de Junho 2020 Jornal Campeão: PSD de Coimbra questiona posições do PS e do Governo sobre os Covões

O PSD de Coimbra realçou hoje a importância do Hospital dos Covões e questionou as posições sobre o assunto que têm sido assumidas pelo PS local. Sobre o mesmo tópico, e no Parlamento, também os deputados de Coimbra do PSD trouxeram a público o futuro do hospital.

“No dia em se realizou mais uma iniciativa da população e profissionais de saúde contra o encerramento da urgência, por um lado, e o esvaziamento de serviços e valências do Hospital Geral [Hospital dos Covões], por outro, o PSD de Coimbra manifesta a sua incredulidade com as sucessivas tomadas de posição, dos últimos dias, do PS, relativamente a esta matéria”, refere em comunicado a comissão política do PSD de Coimbra, presidida por Carlos Lopes.

Na sua opinião, os dirigentes socialistas, “numa tentativa desesperada de camuflar a gritante falta de ideias e influência política que há muito perderam, vieram criticar publicamente a in(acção) dos seus camaradas”.

Em causa, segundo o PSD, estão as posições tomadas pelo PS de Coimbra, liderado por Carlos Cidade, vice-presidente da Câmara Municipal, relativamente ao ainda presidente do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), Fernando Regateiro; à presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro, Rosa Reis Marques (vice-presidente do anterior executivo liderado pelo autarca Manuel Machado); e a ministra da Saúde, Marta Temido, que foi cabeça de lista do PS nas eleições legislativas.

Numa referência à antiga qualidade de administradora do Hospital dos Covões de Marta Temido, o PSD afirma que a ministra “parece ter apagado da sua memória a instituição que a relevou para o seu percurso profissional e político e que, num processo de autofagia, descarta a sua responsabilidade política e remete para o Conselho de Administração do CHUC a responsabilidade técnica da desmantelação” do Hospital Geral.

“Não seria um ganho de tempo para todos se o PS de Coimbra e os seus camaradas tivessem vindo a público explicar, por exemplo, o encerramento recente do Serviço de Cardiologia e do seu Laboratório de Hemodinâmica? Ou explicar a deslocalização do Serviço de Pneumologia do Hospital Geral para os Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC)? Ou a passagem de uma Urgência polivalente, no dia 01 de Julho, para uma urgência indiferenciada de nível básico (…) sem especialidades médicas?”, questiona na nota.

O PSD entende, ainda, que o PS poderia explicar como é que “um Hospital Geral central, com toda a capacidade instalada altamente diferenciada”, dispõe de uma “Urgência equivalente a um qualquer agrupamento de centros de saúde”.

“No nosso entendimento, trata-se de uma conduta omissiva e uma actuação negligente dos diversos actores políticos com responsabilidades executivas, que compromete o direito à saúde, ademais face a constantes alertas dos cidadãos e dos profissionais de saúde sobre uma realidade hospitalar que, com indiferença, vai sendo agravada nas suas insuficiências e depauperada nas suas condições e recursos”, sublinha.

O Hospital dos Covões, segundo o mesmo partido, “provou ser ao longo da sua existência um grande hospital e provou, nos últimos três meses, ser uma referência de Coimbra para o Serviço Nacional de Saúde, no combate à covid-19”.

“Fez justiça à diferenciação e à elevada competência técnica dos seus recursos humanos. Saibamos todos estar à altura da sua importância”, defende.

O PSD de Coimbra anunciou, ainda, para os próximos dias uma “discussão pública sobre este assunto”, com destaque para uma videoconferência a realizar na sexta-feira (12), às 21h30.

Questões sobre o futuro remetidas também para o Governo

Os deputados eleitos por Coimbra do PSD na Assembleia da República questionaram, também, o Governo no parlamento sobre o futuro do Hospital dos Covões, uma causa que envolveu hoje cerca de 2 000 pessoas num “cordão solidário” contra o seu desmantelamento.

“Concorda o Governo com uma só urgência com dois pólos, sendo um polivalente e outro básico?”, pergunta o grupo parlamentar do PSD, numa interpelação escrita dirigida à ministra da Saúde, Marta Temido.

Subscrito por António Maló de Abreu, Mónica Quintela e Paulo Leitão, deputados eleitos por Coimbra, além de Cláudia Bento e Fernanda Velez, o documento foi entregue na Assembleia da República ontem (08).

Com esta iniciativa, o partido reage a uma alegada decisão de passar a urgência do Hospital Geral, nos Covões, a serviço de urgência básico (SUB), a partir de 01 de Julho.

Os deputados do PSD lamentam que tal aconteça após a instituição fundada por Bissaya Barreto, “com enorme dedicação e exemplar profissionalismo, ter estado três meses na linha da frente na luta contra a pandemia” da covid-19, como hospital de referência.

“Como reage o Governo a estas notórias contradições nas tomadas de medidas e com as medidas em si a propósito do Hospital dos Covões? Concorda o Governo com uma só urgência [em Coimbra] com dois pólos, sendo um polivalente e outro básico?”, perguntam.

Se for o caso, o PSD quer então saber se o executivo de António Costa “concorda igualmente que os custos para os doentes sejam diferenciados ou idênticos” nos dois pólos, nos Covões e nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), que fazem parte do CHUC desde o início da década.

“Tem o Governo uma política definida e coerente para estes hospitais, para Coimbra e para a região Centro, partindo da garantia de salvaguarda dos cuidados de saúde para todos os cidadãos? E, tendo, mantém a confiança nos responsáveis pela implementação local e no terreno, a todos os níveis, dessa política?”, reforçam os parlamentares, entre outras questões formuladas.

Para os organizadores do “cordão solidário”, a opção pelo SUB “apenas confirma o que há anos os profissionais e os sindicatos vêm afirmando, quanto ao desmantelamento, à desqualificação e diminuição da capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS), na consideração do que é a sobrelotada capacidade de resposta da urgência dos HUC”.