Coimbra  22 de Abril de 2021 | Director: Lino Vinhal

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PS exige demissão de Pedro Machado da Turismo do Centro, mas PSD contrapõe

8 de Março 2021 Jornal Campeão: PS exige demissão de Pedro Machado da Turismo do Centro, mas PSD contrapõe

As Federações do PS de Aveiro, Coimbra, Guarda, Leiria, Oeste, Santarém e Viseu exigem a “demissão imediata” de Pedro Machado da presidência da Turismo Centro de Portugal (TCP) e a convocação de eleições para aquela entidade.

A posição conjunta das Federações socialistas surge na sequência do anúncio, na quinta-feira, da candidatura de Pedro Machado à Câmara da Figueira da Foz, pelo PSD.

“Os presidentes das Federações de Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria, Oeste, Santarém e Viseu, vêm exigir a demissão imediata de Pedro Machado das suas funções no Turismo Centro de Portugal, requerendo igualmente que sejam realizadas eleições o quanto antes, para dar a urgente e necessária resposta a este sector em crise”, refere a nota.

Para aquelas Federações socialistas, “Pedro Machado deixou de ter condições para representar a instituição, por manifesta incompatibilidade, e vê bastante enfraquecida a confiança que lhe havia sido prestada, sendo incompreensível que deseje perpetuar-se no lugar, usufruindo dos benefícios que o cargo lhe confere”.

“Foi com estupefacção que, ainda na semana passada, vimos no ‘site’ oficial da TCP uma notícia fazendo alusão à candidatura autárquica de Pedro Machado. Não podemos contemporizar tais atitudes de clara incompatibilidade. Pelo que é inevitável apresentação da sua demissão e a marcação urgente de eleições na entidade regional de turismo”, defendem as Federações do PS.

Os socialistas argumentam que a entidade regional Turismo Centro de Portugal (TCP) “tem na sua composição municípios associados, não devendo intervir política e partidariamente neles, mantendo uma posição de independência e de isenção”.

“Anunciando a sua candidatura autárquica à Figueira da Foz, teimando em manter-se no cargo de presidente da Comissão Executiva da TCP, Pedro Machado deixa inabalavelmente comprometidos estes princípios. Entendemos que antes de assumir publicamente a sua candidatura autárquica, Pedro Machado deveria ter acautelado não enfraquecer a TCP” – sustenta a nota.

Para o PS, “impunha-se, por razões de ética e de probidade – à semelhança do que vem acontecendo com outros protagonistas políticos de diversos quadrantes partidários – que tivesse apresentado antecipadamente a sua demissão na TCP”.

Para os socialistas, o que “verdadeiramente importa” é “encerrar este ciclo e fazer a TCP regressar à sua posição agregadora, concentrada em enfrentar os desafios que se colocam ao sector turístico, em exclusividade, sem intermitências, com uma agenda conjunta que projecte toda a Região Centro”.

Na quinta-feira, o presidente da Turismo do Centro, Pedro Machado, anunciou ter aceitado o desafio do presidente do PSD de encabeçar a candidatura do partido à Câmara da Figueira da Foz, no distrito de Coimbra.

“Esta é uma decisão amadurecida, depois de muito reflectir sobre o convite que me foi dirigido pelo presidente do partido [Rui Rio], pela Comissão Política da Figueira da Foz, que tomou esta decisão por unanimidade, e por muitos figueirenses de todos os quadrantes políticos e sociais, que diariamente, desde há um ano a esta parte, me têm feito chegar mensagens e telefonemas de incentivo”, afirmou Pedro Machado.

Questionado sobre se se irá manter como presidente da Turismo do Centro durante a campanha, Pedro Machado realçou que “os presidentes de Câmara também são titulares de cargos públicos e não abandonam [o cargo] para serem candidatos”. “Só tomarei posição sobre isso depois de ser formalmente apresentado como candidato”, acrescentou.

PSD de Coimbra defende Pedro Machado

A Distrital do PSD de Coimbra salientou no domingo que “nada impede” que o presidente da Turismo do Centro, Pedro Machado, mantenha o cargo e “seja candidato e até eleito presidente” da Câmara da Figueira da Foz.

“Legalmente, nada impede que o presidente da Turismo Centro de Portugal, Pedro Machado, seja candidato e até eleito presidente de Câmara. Mais se acrescenta que, legalmente, pode acumular a presidência de Câmara e a presidência não executiva do Turismo Centro”, disse a Distrital do PSD, presidida por Paulo Leitão.

Na sexta-feira, a Distrital do PS de Coimbra exigiu “a demissão imediata” do presidente da Turismo do Centro, Pedro Machado, por ter assumido encabeçar a candidatura do PSD à Câmara da Figueira da Foz.

No domingo, juntaram-se a este pedido as Federações socialistas de Aveiro, Guarda, Leiria, Oeste, Santarém e Viseu, pedindo que sejam convocadas eleições para aquela entidade.

“Lembramos o Partido Socialista, tão célere a ver ciscos nos ‘olhos dos outros’, que, aplicando o mesmo raciocínio, deverá pedir a demissão do vice-presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, Francisco Rolo, do vice-presidente da Câmara de Tábua, Ricardo Cruz, e do presidente da Associação Nacional de Municípios Portugueses, Manuel Machado”, vincou a Distrital social-democrata.

No mesmo comunicado, o PSD refere que vai ficar “pacientemente a aguardar a indignação da Distrital de Coimbra do PS, quando começar o corrupio de inaugurações e descerramento de placas por parte destes profissionais da política”.

Fazendo uma alusão ao comunicado da Distrital socialista de Coimbra que salienta que são exigidos “sérios compromissos éticos e de transparência por parte de quem exerce cargos públicos”, o PSD recordou dois casos “muito recentes” de assuntos “legalmente problemáticos” por parte de eleitos pelo PS, nomeadamente o ex-vereador da Câmara de Coimbra Jorge Alves, que terá alegadamente feito ajustes directos com uma empresa de que o filho e o sobrinho são proprietários, e o ajuste directo entre a Câmara da Lousã e a empresa da qual é proprietária a actual presidente da Junta de Freguesia das Gândaras, no mesmo concelho.

A Distrital social-democrata realçou que nenhum desses dois casos “mereceu qualquer tipo de intervenção por parte da Federação Distrital do PS de Coimbra”.

“Sejamos sérios, e porque de facto a política merece ética e transparência, recentremos as atenções e analise-se e reflicta-se no que é problemático, e fora da legalidade”, concluiu o PSD.