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PS e PSD apadrinham “geringonça” à moda de Soure

18 de Setembro 2017

Nem a conjuntura política nem a competição protagonizada localmente pelo PS e pelo PSD impediram os dois partidos de convergirem no apoio a uma candidatura independente à Assembleia de Freguesia de Soure.
António Santos Mota justifica a sua candidatura à presidência da Junta da sede do Município sourense invocando necessidade de unidade na acção numa autarquia daquele tipo.
Apologista de “fazer as coisas com o coração e com sentimento bairrista”, o ex-vereador nega possuir uma «receita» para fazer convergir PS e PSD.
“Privilegio as relações com as pessoas; tudo é mais fácil, em harmonia”, declara o antigo edil ao ser interpelado pelo “Campeão”.
À Câmara e à Assembleia do Município candidatam-se o PS, a CDU e uma coligação constituída por PSD, CDS/PP e PPM.
O PS hegemonizou a vida autárquica de Soure até o PSD, através de João Gouveia (economista), conquistar a liderança do Município em 1993.
Gouveia, que cumpriu três mandatos pelo Partido Social-Democrata, foi reeleito com o patrocínio do Partido Socialista em 2005 e 2009, tendo passado o testemunho, há quatro anos, ao seu camarada Mário Jorge.
Outrora eleito pelo PSD para a vereação do Município, numa lista encabeçada por João Gouveia, Santos Mota prosseguiu a sua função na Câmara quando, há 12 anos, o economista transitou do Partido Social-Democrata para o PS.
Para o ex-vereador, o provável regresso à presidência da Junta (conta apenas com a oposição da CDU) representa, volvidos 20 anos, o começo do “fecho de um ciclo”.
António confessa julgar saber que foi uma espécie de desmancha-prazeres aos olhos de conterrâneos que esperavam vê-lo aceitar candidatar-se a timoneiro da Câmara Municipal com o patrocínio do PSD. Acontece que o seu projecto para a Junta de Freguesia de Soure falou mais alto.
O Movimento Autárquico Independente por Soure (MAIS) define-se como “projecto cívico, assente numa base plural”, prometendo “servir com verdade”.
Apostado em mostrar às pessoas que não se pode estar sempre à espera do Estado para a resolução de problemas, Santos Mota acena com a “promoção da cidadania e do civismo”, sem descartar a apologia da tolerância.
Ao aludir a preocupações próprias de presidente de Câmara, António não deixa de advertir para “a insuficiência da rede de saneamento básico” e de alertar para “falta de protecção em matéria de saúde mental”.
Sem embargo de se declarar consciente das competência e das limitações de presidente de Junta, o antigo vereador preconiza a construção de uma via rápida entre o nó de Soure (auto-estrada do Norte) e a vila e lança um repto para debate de ideias em prol do aproveitamento do cine-teatro.
José Francisco, mandatário do MAIS, crê que estão “reunidas condições para o tão desejado salto”; Anabela Mendes, que nunca se deixara seduzir pela política, orgulha-se de o movimento “juntar passado e futuro”.
José Manuel Bernardes, líder cessante da Junta de Soure, vê em António Santos Mota “qualidades humanas e intelectuais que hão-de fazer dele o melhor presidente de sempre” da autarquia.

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