Coimbra  30 de Novembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Projectos da UC no combate à covid-19 recebem financiamento de 700 000 euros

5 de Novembro 2020 Jornal Campeão: Projectos da UC no combate à covid-19 recebem financiamento de 700 000 euros

A Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) atribuiu mais de 700 000 euros a três projectos da Universidade de Coimbra que usam a ciência de dados e a inteligência artificial para combater a covid-19.

Três dos 12 projectos financiados pela FCT, no âmbito do concurso “AI 4 COVID-19: Ciência dos Dados e Inteligência Artificial na Administração Pública para reforçar o combate à covid-19 e futuras pandemias – 2020”, são liderados pelos investigadores da (UC) Irina de Sousa Moreira, Miguel Castelo-Branco e Paulo de Carvalho.

O montante global do financiamento atribuído aos três projectos, intitulados “VIRHOSTAI – Descoberta do interatoma vírus-hospedeiro: uma abordagem guiada por inteligência artificial e dados multi-ómicos”, “Lung@ICU – Ferramentas avançadas para diagnóstico e prognóstico em pneumologia @ Cuidados Intensivos” e “Um sistema de documentação de interface entre necessidades clínicas e de ciências dos dados para enfrentar o desafio da covid”, ultrapassa os 700 000 euros.

Os projectos contemplados:

O projecto “VIRHOSTAI” é liderado por Irina de Sousa Moreira, do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC), e vai focar-se no desenvolvimento de uma plataforma inovadora capaz de propor novas terapias especificamente desenhadas para o tratamento da covid-19.

No contexto actual, afirma a investigadora, “é imprescindível uma identificação célere e fidedigna dos alvos terapêuticos e candidatos a fármacos para que apenas os melhores avancem para ensaios pré-clínicos e clínicos. Para tal, é fundamental maximizar o aproveitamento do enorme volume de dados gerado durante o combate mundial à pandemia e dos mais recentes avanços em tecnologias computacionais inteligentes para acelerar e optimizar a procura por soluções terapêuticas de difícil obtenção com metodologias tradicionais”.

Assim, clarifica a também docente da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), “através da utilização de algoritmos inovadores no domínio da inteligência artificial, ir-se-á interligar dados ómicos e biofísicos de forma a prever correlações e interacções fármaco-alvo associadas ao sistema vírus-homem (vhDTIs), caracterizando-se também as mais relevantes propriedades e mecanismos biológicos do SARS-CoV-2”.

Esta investigação, que obteve 240 000 euros de financiamento, vai ser desenvolvida em parceria com o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Investigação e Desenvolvimento em Lisboa (INESC-ID) e a Associação do Instituto Superior Técnico para a Investigação e Desenvolvimento (IST-ID) da Universidade de Lisboa.

Já o projecto “Lung@ICU”, coordenado por Paulo de Carvalho, do Laboratório de Informática Médica do Centro de Informática e Sistemas da Universidade de Coimbra (CISUC), propõe desenvolver um conjunto integrado de ferramentas de diagnóstico e prognóstico baseado em Inteligência Artificial (IA), com base em auscultação remota de som torácico e tomografia por impedância eléctrica (EIT).

Recebeu 238 000 euros de financiamento e integra investigadores do CHUC, abrangendo a experiência na área clínica e científica da pneumologia. Esta investigação visa essencialmente “responder a três grandes desafios enfrentados nos actuais ambientes hospitalares para combater doenças pandémicas, designadamente dificuldades no diagnóstico e avaliação adequada dos pacientes com covid-19, escassez de profissionais treinados em pneumologia e unidades de cuidados intensivos (UCI) e necessidade de ferramentas de apoio à decisão adequadas para o diagnóstico e prognóstico preciso da evolução da doença”, revela a UC.

“Devido às medidas de protecção individual exigidas aos profissionais de saúde, como os fatos de isolamento, e ao requisito de manter uma distância segura dos pacientes infectados, os métodos de observação e diagnóstico tradicionais como a auscultação não são exequíveis, o que gera dificuldades no diagnóstico e avaliação adequada dos pacientes com covid-19, mesmo por pneumologistas experientes”, fundamenta Paulo de Carvalho. Por outro lado, salienta, “a natureza pandémica deste surto levou à escassez de profissionais treinados em pneumologia e Unidades de Cuidados Intensivos. Por exemplo, muitos profissionais de outras áreas (em alguns países, até estudantes de medicina) foram recrutados para evitar o colapso dos serviços de saúde”.

Para além disso, o facto de a doença ser “altamente imprevisível, por exemplo, a condição dos pacientes pode evoluir muito rapidamente (em questão de horas), aumenta a necessidade de ferramentas de apoio à decisão adequadas para o diagnóstico e prognóstico oportuno e preciso da evolução da doença para apoiar, principalmente, profissionais menos treinados”, sublinha ainda o docente da FCTUC.

O terceiro projecto financiado pela FCT – “Um sistema de documentação de interface entre necessidades clínicas e de ciências dos dados para enfrentar o desafio da covid” – é liderado por Miguel Castelo-Branco, investigador do Coimbra Institute for Biomedical Imaging and Translational Research (Cibit), e obteve um financiamento de 239 000 euros. Centra-se em gerar uma ferramenta de ‘data science’ e apoio à decisão a nível hospitalar e desenvolver uma linha de tele-apoio e neuroreabilitação à distância que mitigue a dificuldade em organizar respostas.

“Este tipo de ferramentas é crítico numa fase em que é necessário dar resposta ao tremendo impacto da covid. Pretende-se o desenvolvimento de um sistema de fácil utilização e manutenção, com diversas funcionalidades que visam a melhoria dos registos clínicos electrónicos e apoio à investigação e decisão clínica, no contexto da actual pandemia”, frisa o coordenador do projecto. Partindo do trabalho prévio de colaboração entre o CHUC e a UC em Sistemas de Informação da Saúde e Registo de Saúde Electrónico, o desenvolvimento do sistema proposto “assume importância cada vez mais decisiva para o sucesso e a qualidade da prestação de serviços de saúde, uma vez que ele permitirá melhorar a transmissão e uso da informação relativa a serviços de saúde, entre os diversos intervenientes, assegurando o entendimento da informação, quer pelos sistemas, quer pelos utilizadores”, esclarece.

O também docente da Faculdade de Medicina da UC realça, ainda, que o projecto irá disponibilizar uma “ferramenta de investigação clínica, fundamental no apoio à tomada de decisões clínicas complexas, no contexto da covid, com enfoque em doenças do neurodesenvolvimento (Hospital Pediátrico de Coimbra) e crónicas do adulto, como a diabetes (Serviço de Endocrinologia dos CHUC)”.

Para a vice-reitora da UC com o pelouro da investigação, Cláudia Cavadas, o financiamento obtido “reflecte a capacidade da comunidade científica da Universidade de Coimbra em dar resposta a desafios globais, interdisciplinares e que venham a ter impacto na sociedade”.