Coimbra  15 de Setembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Projecto vai produzir medicamentos a partir de células mesenquimais

1 de Julho 2019

Um projecto que envolve quatro entidades pretende, nos próximos dois anos, demonstrar a capacidade de fabrico de medicamentos a partir de células mesenquimais (presentes no cordão umbilical), que podem ser usados no tratamento de doenças auto-imunes.

A investigação envolve a Crioestaminal, que criou o primeiro banco de células estaminais do cordão umbilical em Portugal, em parceria com o Centro de Neurociências e Biologia Celular de Coimbra (CNC), o Instituto Superior Técnico (IST) e o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

O projecto MSCellProduction visa demonstrar a capacidade de fabrico de medicamentos de terapia celular a partir de células mesenquimais do tecido do cordão umbilical e do tecido adiposo.

“Este projecto vem reforçar o compromisso da Crioestaminal com a investigação, o desenvolvimento tecnológico e a inovação, com uma componente competitiva e de valorização económica das tecnologias aqui desenvolvidas muito relevante”, refere o director-geral da empresa, André Gomes.

Segundo o responsável, o “desenvolvimento desta metodologia de expansão de células mesenquimais do tecido do cordão umbilical e do tecido adiposo permitirá a obtenção de células em quantidade e qualidade clinicamente exigidas para aplicação em doentes”.

O investigador Artur Paiva, do CHUC, refere que “estas células conseguem, de alguma forma, controlar uma resposta imunológica diferente do normal, exacerbada, e, portanto, podem ter grande aplicabilidade em doenças auto-imunes”.

“Até fazem abrir novas perspectivas de utilização em diferentes áreas, nomeadamente nas neoplasias sólidas”, referiu o médico, salientando que, actualmente, as células mesenquimais “já têm grande aplicabilidade e podem vir a ter mais”.

O objectivo do projecto é, em primeiro lugar, “produzir estas células em larga escala, para poderem ser utilizadas em ensaios clínicos, e, depois dessa capacidade validada, saber se estas células conseguem fazer ‘in vitro’ aquilo que têm como potencialidade de fazer ‘in vivo’”.

De acordo com Artur Paiva, coordenador da Unidade de Gestão Operacional de Citometria do Serviço de Patologia Clínica do CHUC, depois é preciso testar que aquelas células [mesenquimais] têm a capacidade de controlar as diferentes populações do sistema imunológico.

Por exemplo, no lúpus, há ensaios clínicos “que mostram claramente que, doentes com nefrite lúpica refractária da terapêutica convencional, com base em imunossupressão e que não respondem a essa terapêutica, ao fazerem infusão com estas células observa-se uma boa taxa de resposta e de recuperação”.

“Nalgumas circunstâncias, e em alguns doentes em particular, estas células podem ter uma grande aplicabilidade”, sublinhou o investigador, que estima ser possível produzir medicamentos para serem utilizados em imunoterapia celular após o final do projecto e depois de concluído o processo de aprovação.

Segundo Artur Paiva, em princípio, no fim dos dois anos, “pode-se provar que existe capacidade para produzir estas células, que foram validadas e que elas fazem ‘in vitro’ tudo o que têm de fazer ‘in vivo’”, acrescentou.

O projecto MSCellProduction – Produção de Células Estaminais Mesenquimais representa um investimento elegível total previsto de 547 571,40 euros, com uma comparticipação do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) de 327 435,34 euros, no âmbito do Programa Operacional Competitividade e Internacionalização (COMPETE 2020), financiado pelo Portugal 2020.

 

WP Facebook Auto Publish Powered By : XYZScripts.com