Coimbra  26 de Fevereiro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Projecto quer produzir biocombustível com resíduos da poda de árvores

28 de Janeiro 2020

Um projecto de aproveitamento de resíduos das podas de vinhas e árvores de fruto na produção de biocombustível avançado está a ser desenvolvido no Campus da BLC3, em Oliveira do Hospital.

A associação BLC3 “está a desenvolver um projecto de economia circular no sector da agricultura, onde pretende que os resíduos da actividade de exploração agrícola, como os resíduos das podas das oliveiras, vinhas e outras árvores de fruto” sejam “usados para produzir biocombustível avançado”, revelou à agência Lusa o presidente do Campus de Tecnologia e Inovação BLC3, João Nunes.

O projecto, “com potencial de aplicação também ao sector florestal”, preconiza ainda que “os resíduos do próprio cultivo” sejam igualmente usados na produção daquele biocombustível, adiantou o responsável.

Essa produção, salientou João Nunes, será feita de “forma eficiente e com níveis de emissão de carbono muito mais baixos do que os fósseis”.

O biocombustível avançado produzido pelo método que está a ser desenvolvido no Campus de Oliveira do Hospital é, esclareceu, “similar e equivalente ao gasóleo agrícola para usar nas próprias máquinas de exploração e de actividade agrícola”.

O sector agrícola é uma actividade muito importante para a economia nacional e tem “um potencial de crescimento, em termos de competitividade, se o conseguirmos integrar na área do uso eficiente dos recursos”, sustentou o presidente e fundador da BLC3.

Em Portugal “temos 3,6 milhões de hectares de agricultura (39,5 por cento do território nacional), com mais de 360 000 explorações agrícolas”, que “representa uma média de 10 hectares por exploração agrícola”.

Com esta dimensão média da propriedade agrícola, o sector é, naturalmente, “pouco competitivo em termos de escala” e, por outro lado, com “impacto ao nível do uso de recursos e emissões de carbono”, sublinhou.

Cerca de 360 000 hectares do território nacional são de olival, 178 000 hectares de vinha e 45 000 de produção dos principais frutos frescos, o que gera “uma elevada quantidade de resíduos de biomassa”, referiu ainda João Nunes, admitindo que “poderemos estar a falar em cerca de um milhão de toneladas de resíduos anualmente só nestas fileiras”.

Trata-se, no entanto, de “um valor sempre difícil de quantificar de forma rigorosa, porque depende do próprio ano de produção agrícola”, advertiu.

“Os sistemas de cultivo agrícola que usam maquinarias, com alguma intensidade, mas que geram elevadas quantidades de uma biomassa”, como é o caso, tem “potencial e interesse para produzir o próprio combustível” para usar na sua maquinaria, concluiu João Nunes.

A BLC3 – Campus de Tecnologia e Inovação é uma associação sem fins lucrativos, fundada em 2010 e com início de atividade em 2011, com um “novo modelo de desenvolvimento de actividades de investigação e intensificação tecnológica de excelência, incubação de ideias e empresas, e apoio ao tecido económico em regiões interiores e rurais”.

É a única entidade em Portugal “criada para o desenvolvimento e industrialização das biorrefinarias (segunda e terceira gerações) e da bioeconomia e ‘smart regions’, com uma aposta no conceito de economia circular”, de acordo com a página da BLC3 na Internet.

De realçar que o Laboratório Colaborativo (CoLab) para a Economia Circular, que se sediou muito recentemente no seu Campus, em Oliveira do Hospital, desenvolve actividades em três plataformas tecnológicas: biotecnologia industrial, processos de sustentáveis de separação e química verde e ecodesign; e será “uma estrutura de excelência, numa região Interior, e com capacidade para a liderança e representação internacional de Portugal em economia circular”.

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