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“Procissão” da crise política parece ainda ir no adro

6 de Maio 2019

Os sindicatos dos professores apostam, agora, na abstenção do PCP e do BE às propostas do PSD e do CDS na expectativa de verem transposta a barreira imposta à contagem integral do tempo de serviço.

Segundo a Agência Lusa, as associações sindicais da classe docente contam com o isolamento do PS, no Parlamento, por ocasião da votação final global das propostas que consagram a integral contagem do tempo de serviço, na medida em que a abstenção da Esquerda (Bloco e PCP) às condições do Centro-Direita garante esse objectivo.

É neste sentido que vários sindicatos, reunidos em plataforma para reivindicar a contagem de nove anos, quatro meses e dois dias de serviço, estão a preparar uma carta aos partidos com assento na Assembleia da República.

“O PS sozinho não consegue fazer valer a sua posição [de apenas contar dois anos, nove meses e 18 dias do tempo de serviço congelado por razões orçamentais]; os partidos à Esquerda do PS nem têm de votar favoravelmente os projectos de diploma da autoria do PSD e do CDS (…), basta que não votem contra”, declarou o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof), Mário Nogueira.

O apelo aos partidos visa desbloquear a situação dos professores, apesar de os projectos do PSD e do CDS conterem condições para a integral contagem do tempo de serviço dos docentes, relacionadas com a evolução da situação económica e financeira do país.

“Há vários partidos representados no Parlamento, não há só o PS, sendo que o PSD até tem mais deputados: acho estranha a interpretação de que isto já «caiu» só por o PS votar contra”, comentou Mário Nogueira, citado pela Lusa.

Também o secretário-geral da Federação Nacional da Educação (FNE), João Dias da Silva, manifestou expectativa de ver viabilizada a posição do PSD e do CDS.

Depois negociações inconclusivas com os sindicatos sobre este assunto, o Governo avançou para a aprovação de um decreto-lei que contempla uma contagem inferior a três anos.

“Condições temos sempre à mesa de negociação, chegámos a propor ao Executivo que aprovasse todo o tempo de serviço, na condição de, depois, virmos a negociar faseadamente, mesmo com outro Governo; ora, nem isso quiseram”, declarou Nogueira.

Neste contexto, o primeiro-ministro e líder do PS, António Costa, criticou, domingo (05), a posição do PSD e a do CDS, tendo desafiado os dois partidos a «emendarem a mão» acerca dos referidos nove anos, quatro meses e dois dias de serviço.

Para António Costa, se o PSD e o CDS, entretanto, se “arrependeram” daquilo que votaram, possuem “bom remédio”, alterando a posição no sentido de não viabilizar a proposta de diploma que, alegadamente, “põe em causa” as finanças públicas e a credibilidade internacional do país perante os mercados financeiros.

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