Coimbra  3 de Dezembro de 2021 | Director: Lino Vinhal

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Presidente da Câmara de Coimbra encontrou gabinete de auditoria sem funcionários

23 de Novembro 2021 Jornal Campeão: Presidente da Câmara de Coimbra encontrou gabinete de auditoria sem funcionários

O presidente da Câmara de Coimbra, eleito há cerca de dois meses, afirma que encontrou o gabinete de auditoria interna do Município sem qualquer funcionário alocado.

“O gabinete de auditoria interna da Câmara tinha zero pessoas lá a trabalhar. Ninguém”, disse José Manuel Silva, eleito pela coligação Juntos Somos Coimbra, durante a reunião da Assembleia Municipal de Coimbra (AMC), que decorreu terça-feira.

Em declarações aos jornalistas, o autarca salientou que o gabinete existe no organigrama da Câmara de Coimbra e que “é essencial para avaliar o cumprimento da norma de controlo interno”, mas não encontrou funcionários nem relatórios.

“Estamos a trabalhar para alocar recursos humanos. Tem que se auditar e a Câmara tem que estar preparada também para auditorias externas porque elas ajudam-nos a governar e a organizar melhor a Câmara”, frisou, referindo que não sabe há quanto tempo o gabinete estava sem trabalhadores.

Durante a sua intervenção inicial na AMC, José Manuel Silva realçou também que o Município tinha gastado “mais de 200 mil euros há uns anos para ‘software’ e ‘hardware’ para digitalização e que nunca foi usado – ficou num canto”.

“Teremos que fazer um novo investimento para pôr o processo de digitalização a avançar. As actas da Câmara dos anos 90 estão a desaparecer, a tinta está a perder-se e este processo de digitalização e recuperação é absolutamente urgente”, afirmou.

Na reunião, o líder parlamentar da CDU, Manuel Rocha, reafirmou a importância de as Juntas de Freguesia não serem “meras executoras da Câmara”, exigindo que o Executivo converta “compromissos em políticas”.

O deputado voltou também a criticar a construção da nova Maternidade nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) em detrimento dos Covões, e defendeu a manutenção de Coimbra-A, alertando para os impactos que terá a retirada de uma estação de comboios do centro da cidade.

Já João Malva, do movimento Cidadãos por Coimbra, alertou para a necessidade de se manter no domínio público os terrenos entre o troço da Estação Nova (Coimbra-A) e Estação Velha (Coimbra-B).

O deputado municipal socialista José Ferreira da Silva defendeu que todos os membros da Assembleia Municipal deveriam “puxar para o mesmo lado”, aproveitando também a oportunidade para elogiar os vários investimentos feitos pelo anterior Executivo (liderado pelo PS).

Sobre erros ou “algumas insuficiências” que esse Executivo poderá ter tido, José Ferreira da Silva realçou que “só quem trabalha comete algumas insuficiências e alguns erros”.

O deputado socialista afirmou também que a exigência do presidente da Câmara de levar o MetroBus até à Universidade de Coimbra (uma proposta feita durante a campanha) seria justa, se pudesse ser paga. “Essas coisas são justas se as podemos pagar, mas como não as podemos pagar, não são justas”, apontou.