Coimbra  6 de Dezembro de 2021 | Director: Lino Vinhal

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Presidente da Câmara de Coimbra aponta insuficiências no projecto do MetroBus

15 de Novembro 2021 Jornal Campeão: Presidente da Câmara de Coimbra aponta insuficiências no projecto do MetroBus

O presidente da Câmara de Coimbra apontou, esta segunda-feira, cinco insuficiências ao projecto do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM), no dia em que foi consignada a empreitada de construção do troço Alto de São João/Portagem.

O SMM consiste na implementação de um Metrobus, utilizando veículos eléctricos a baterias que irão operar no antigo ramal ferroviário da Lousã e na área urbana de Coimbra, ligando esta cidade a Serpins, no concelho da Lousã, com passagem em Miranda do Corvo, numa extensão de 42 quilómetros.

“Este é um projecto que herdámos e vamos executar com satisfação, mas não seria exatamente o projecto que este executivo preferiria”, disse José Manuel Silva, na cerimónia que decorreu nos Paços do Concelho para a consignação da empreitada do troço urbano entre Alto de São João e a Portagem, em Coimbra, com cerca de 5,2 quilómetros de extensão e um investimento de 23,6 milhões de euros.

Apesar de saudar o processo e considerar o dia marcante, por ser a primeira intervenção no espaço urbano, o autarca, eleito em setembro, não se coibiu de dizer que o seu executivo “não se revê totalmente” no projecto.

O presidente da Câmara de Coimbra salientou que posição do município foi o de apoiar e “não atrasar a evolução do projeto, na medida em que grande parte das soluções aprovadas já serão irreversíveis, não se podendo pôr em causa a execução das obras dos programas de investimento”.

“Não podendo ser por razões temporais e financeiras integradas nesta empreitada, justificam a abertura de um conjunto complementar de dossiers, de maneira a melhorar o desempenho do projeto global”, sublinhou.

Segundo José Manuel Silva, o projecto SMM devia considerar a reposição da paragem do Alto de São João, o aprofundamento da integração funcional ao longo de toda a linha, em particular na Praça 25 de Abril e a articulação da paragem do MetroBus aos táxis, transportes urbanos e transportes rodoviários suburbanos.

Por outro lado, acrescenta, o projecto devia repensar a funcionalidade, segurança e dignidade da paragem da Câmara e a “necessidade indiscutível de servir o pólo I da Universidade de Coimbra, que é um dos maiores polos de atracção de viagens, à semelhança dos Hospitais”.

“Finalmente, a Estação de Coimbra B. o avanço da solução aprovada não poderá colocar em causa a viabilidade da passagem e paragem da alta velocidade em Coimbra B, que tem de fazer parte da auto-estrada Lisboa-Porto, pelo que importa revisitar e consolidar o estudo prévio já aprovado em 2010 e objeto de parecer favorável”, defendeu.

Das quatro empreitadas que integram o projecto do SMM, está em execução a obra do lanço entre Serpins e o Alto de São e agora tem início a intervenção entre Alto de São João e Portagem. As empreitadas dos troços urbanos da Portagem a Coimbra B e a Linha do Hospital deverão ser consignadas no primeiro trimestre de 2022.

“Hoje damos mais um passo para a materialização deste projecto 11 anos depois da população ter ficado sem comboio no Ramal da Lousã, entre Coimbra e Serpins, esperando que consolide a esperança numa melhor mobilidade”, disse o secretário de Estado das Infraestruturas, Jorge Delgado, que presidiu à cerimónia.

A empreitada entre Alto de São João e Portagem, consignada esta segunda-feira, visa a adaptação da infraestrutura do antigo Ramal da Lousã, com a criação de faixa de circulação de dois sentidos com largura de sete metros e construção de 10 paragens com dupla plataforma.

O SMM prevê um investimento global superior a 140 milhões de euros, dos quais 40 milhões se destinam à aquisição de material circulante, cujas propostas decorrentes do concurso público se encontram em análise.