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Prémio Literário João Gaspar Simões sem vencedores

28 de Setembro 2019

O júri do Prémio Literário João Gaspar Simões, da Figueira da Foz, decidiu não atribuir qualquer galardão na 5.ª edição do concurso, o que sucede pela primeira vez.

O prémio foi instituído há 10 anos pelo Município, que revela agora a razão pela qual, este ano, não haverá qualquer vencedor nem menções honrosas.

“Após debate sobre o mérito das obras a concurso e atentos os critérios de exigência da qualidade artística, conforme ao prestígio do seu patrono e aos valores estéticos e literários por este pugnados, entendeu [o júri], de forma unânime, não atribuir, nesta edição, o galardão do prémio, nem salientar qualquer menção honrosa”, esclarece a autarquia da Figueira da Foz.

Este concurso, bienal, foi criado em homenagem ao dramaturgo e novelista João Gaspar Simões, considerado o primeiro grande crítico literário português, contou nesta edição com a participação de 47 obras, das quais quatro foram retiradas da competição, três por falta de requisitos formais exigidos pelo regulamento, e uma por decisão expressa do autor concorrente.

A edição 2018/2019 do prémio, no valor de 2 500 euros, visava prosas narrativas sob a forma de romance ou novela e admitia obras originais, inéditas, de produção individual e não premiadas anteriormente.

À agência Lusa, o escritor António Tavares, presidente do júri em representação do Município da Figueira da Foz, admitiu que as obras a concurso “não tinham qualidade” para serem galardoadas.

Quanto ao facto de a lista de premiados ficar vazia pela primeira vez, o também antigo vice-presidente da autarquia e ex-vereador da Cultura, a quem se deve a instituição do prémio literário, disse esperar que seja uma situação “ocasional”.

“Desta vez não apareceu nenhuma obra que se destacasse”, afirmou António Tavares.

Do júri da edição 2018/2019 fizeram ainda parte Maria João de Sousa Martins, em representação da Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, e Luís Machado, em representação da Associação Portuguesa de Escritores.

Nas anteriores quatro edições os premiados foram “O Fotógrafo da Madeira”, de António Breda Carvalho (2011), e “O Primo Aprendiz – História de Um Carbonário”, de Mário Silva Carvalho, em 2013.

Em 2015, “A Bicicleta do Ourives Ambulante”, da autoria de Silvério Manata, venceu o galardão entre 91 obras a concurso e, em 2017, o júri destacou de entre as 63 obras concorrentes o romance “Madalena”, de Isabel Rio Novo.

O prémio literário João Gaspar Simões foi instituído para “incentivar a criação literária e dar a conhecer novas obras e autores, assim como contribuir para a valorização e promoção da literatura de qualidade, considerada elemento essencial para o desenvolvimento e enraizamento dos hábitos de leitura”, refere a Câmara Municipal.

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