Coimbra  23 de Setembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Praga de ratos nas zonas ardidas obriga autarquias a reforço de medidas

23 de Novembro 2018 Jornal Campeão: Praga de ratos nas zonas ardidas obriga autarquias a reforço de medidas

As colónias de ratos têm vindo a aumentar nos municípios devastados pelos incêndios de 2017, como Arganil e Oliveira do Hospital, o que obrigou as autarquias a reforçar nas últimas semanas as medidas para combater esses roedores.

A multiplicação anómala dos ratos e ratazanas nos territórios atingidos pelos fogos é uma consequência da “morte ou fuga dos seus predadores naturais”, referiu o biólogo Jorge Paiva à agência Lusa.

“Muitas das cobras morreram”, adiantou, confirmando que estes répteis, mas também as aves de rapina e alguns pequenos mamíferos, como raposas e ginetas, “é que controlam as populações” de ratos do campo e outros.

O professor jubilado da Universidade de Coimbra explicou que “os ratos conseguiram sobreviver porque foram para as luras”, escavando mesmo os buracos para níveis mais profundos, enquanto os seus habituais predadores morreram ou fugiram à medida que as frentes de fogo avançavam.

O concelho de Arganil está a ser afectado por uma praga de ratos, que, no entanto, “não representa uma ameaça à saúde pública”, de acordo com a Câmara Municipal.

“Estão a ser tomadas medidas no sentido de responder de forma pronta e conveniente às situações reportadas, nomeadamente através do reforço do sistema de recolha de lixo e da desratização na rede de saneamento de águas residuais”, informou a Câmara, em comunicado.

Citando a Administração Regional de Saúde (ARS) do Centro, a autarquia presidida por Luís Paulo Costa afirmou que “a proliferação de ratos registada nas zonas afectadas pelos incêndios de Outubro de 2017 não representa, contudo, uma situação alarmante” em termos de saúde pública.

Segundo a ARS, “não foram reportados casos de doença transmitida por roedores, nem houve até ao momento recurso aos serviços de saúde motivado por situações relacionadas com o aumento destes animais”.

A Câmara de Arganil “vai manter-se particularmente alerta para esta situação, de forma a garantir as condições de higiene e saúde pública no concelho, disponibilizando-se para apoiar os munícipes no esclarecimento de quaisquer dúvidas”, através do ‘e-mail’ geral@cm-arganil.pt e do telefone 235200150.

No mesmo distrito, os fogos de 15 e 16 de Outubro de 2017 “devastaram 97 por cento da área florestal do concelho” de Oliveira do Hospital, “destruindo também a sua fauna e flora”.

A proliferação de ratos “tem origem no desequilíbrio dos ecossistemas”, disse uma fonte do gabinete do presidente da Câmara, José Carlos Alexandrino.

Trata-se de “um problema transversal aos concelhos afectados pelos incêndios”, relacionado com o “desaparecimento dos predadores naturais, como cobras, raposas e aves de rapina”, entre outros.

Para combater a praga, aumentou “a vigilância e a monitorização” dos edifícios públicos, tendo sido igualmente redobrados os trabalhos de desratização, através das empresas especializadas que há vários anos asseguram esses serviços ao Município.

O gabinete de José Carlos Alexandrino informa que foram reforçadas “as operações de manutenção e inspecção da rede de saneamento e águas pluviais”, com apoio de equipas no terreno.

Os incêndios que eclodiram em Pedrógão Grande e na Lousã, distritos de Leiria e Coimbra, nos dias 17 de Junho e 15 de Outubro de 2017, respectivamente, devastaram extensas áreas de floresta e mataram milhares de animais domésticos e selvagens.

Entre a população, o fogo de Junho originou 66 mortos e mais de 250 feridos, enquanto no de Outubro perderam a vida 50 pessoas e cerca de 70 ficaram feridas.