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Portugal perdeu 1 200 campos de futebol de área costeira

13 de Janeiro 2017 Jornal Campeão: Portugal perdeu 1 200 campos de futebol de área costeira

O Plano de Monitorização Costeira (COSMO), hoje apresentado publicamente na Figueira da Foz, vai permitir intervir com mais certeza e segurança no litoral português, segundo referiu o ministro do Ambiente.

“Será tudo muito mais robusto depois desta ferramenta estar a funcionar, conseguiremos diminuir bastante a incerteza que temos hoje quando gerimos estes territórios, sabendo que não há soluções universais e gerir o litoral é uma tarefa sem termo”, disse João Matos Fernandes aos jornalistas, à margem da sessão que decorreu na Câmara Municipal.

O programa Cosmos, hoje apresentado, é um investimento de cerca de 3,1 milhões de euros na monitorização da costa portuguesa ao longo de três anos, para reunir informação consolidada e sistematizada que poderá ser utilizada por planificadores, projetistas e decisores políticos sobre as intervenções que foram feitas e outras a operar futuramente no litoral.

“Sou dos que acredita que o COSMO pode fazer a diferença. Já algum tempo que sabemos por onde queremos caminhar e o que falta mesmo é esta informação sistematizada para podermos fazer de outra forma. É indispensável ter uma ferramenta como esta, sobretudo útil quando daqui a três anos terá um alfobre de informação que permite intervir com mais certeza”, argumentou, na sessão, o governante.

Já Celso Pinto, coordenador do programa COSMO, explicou que a monitorização será feita através da criação de perfis emersos e perfis totais da zona costeira a avaliar (um perfil total começa na praia e estende-se mar fora até cerca de 20 metros de profundidade, nas costas arenosas) e outras ferramentas como levantamentos hidrográficos e de praias, até com recurso a meios aéreos.

Segundo Celso Pinto, o programa irá ainda permitir mobilizar meios para monitorizar praias após temporais e incluirá a instalação de 10 câmaras de videovigilância na costa portuguesa para observação em tempo real de galgamentos costeiros.

De acordo com dados hoje divulgados, o plano de monitorização incidirá sobre 161 praias portuguesas, em 234 quilómetros de extensão da faixa costeira, abrangendo 92 por cento dos municípios costeiros, num total de 46 concelhos.

Na sessão, o vice-presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), António Sequeira Ribeiro, defendeu que o programa tem de ser mantido para além da vigência de três anos: “O poder político tem de perceber essa necessidade de o manter a funcionar, é fundamental que não seja descontinuado daqui a três ou quatro anos”, frisou.

Na sua intervenção, o ministro do Ambiente defendeu que o projecto de monitorização “tem de ser também a semente de um modelo de gestão do litoral que passe a viver, dentro de meia dúzia de anos, a custas próprias e não de fundos comunitários” e que o Estado “tem de encontrar um modelo de financiamento continuado” destas intervenções.

Ainda segundo Matos Fernandes, as acções de monitorização que decorrerão ao abrigo do COSMO serão alvo de um concurso público ainda este mês, para que o programa esteja a funcionar no decurso de 2017.

Dados hoje divulgados pela APA, relativos a 2010, revelam que cerca de 180 quilómetros da linha de costa portuguesa está em erosão (sensivelmente 20 por cento do total) e que entre 1958 e 2010, cerca de cinco décadas, Portugal perdeu 12,2 quilómetros quadrados de costa, uma área equivalente a 1 200 campos de futebol.

Outros dados da APA indicam que entre 1947 e 2010 (em 63 anos) houve perto de 1 600 desmoronamentos nas arribas rochosas.

A costa portuguesa tem 987 quilómetros de comprimento e cerca de 48 por cento é constituída por arribas rochosas e 42 por cento por litoral baixo e arenoso.