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Poiares: Ex-bancária confessa desvio de 655 000 euros

9 de Maio 2018 Jornal Campeão: Poiares: Ex-bancária confessa desvio de 655 000 euros

Uma ex-bancária, que trabalhou em Vila Nova de Poiares, confessou, hoje, no Tribunal de Coimbra, ter desviado 655 000 euros e ilibou o ex-marido (co-arguido).

A arguida, A. Isabel O., cujo julgamento era para ter começado há três meses, está acusada, pelo Ministério Público, de desvio de 655 000 euros de contas de clientes do BCP, especialmente de idosos e emigrantes.

Além de A. Isabel O., 44 anos de idade, também se senta no banco dos réus o ex-marido dela, P. Jorge O., que terá participado no presumível esquema de desvio de fundos pertencentes a contas bancárias.

Segundo a Agência Lusa, que se inteirou da acusação deduzida pelo MP, a arguida trabalhou no BCP de 1997 a 2010 (data em que rescindiu unilateralmente o contrato de trabalho).

Com cerca de 30 anos de idade, a então bancária passou a desempenhar a função de gestora de conta, em Vila Nova de Poiares, e, com perto de 35, acumulou esse cargo com o de coordenadora comercial adjunta.

Segundo a peça acusatória, em 2003, ambos os arguidos entenderam passar a movimentar montantes pecuniários depositados naquele banco por diversos clientes sem o conhecimento ou consentimento dos mesmos.

Ao usufruir da base de dados do BCP, a arguida terá efectuado transferências para a sua conta e do então marido dela ou para contas de terceiros, às quais, presumivelmente, acabava por aceder.

Algumas das vítimas eram emigrantes no Brasil, França ou Estados Unidos da América, tendo sido identificada várias pessoas afectadas pelo esquema.

Além do banco, são assistentes no âmbito do processo Idalina Rosa e Adelino Carvalho dos Santos. Isildo Aldeia e António Adelino Santos partilham o estatuto processual de ofendidos, sendo demandantes Eugénia de Jesus, Fernanda de Jesus Martins e Carlos de Jesus Martins,

Na acusação, é possível constatar que a arguida procedia a levantamentos de 400 euros num dia, por diversas vezes, e fazia compras no montante de centenas de euros em lojas de roupa, ourivesarias ou perfumarias.

A arguida é acusada de autoria de um crime de falsidade informática, abuso de confiança qualificado, falsificação de documento e branqueamento de capitais.

A prestar declarações, frequentemente a chorar e a soluçar, A. Isabel O. indicou que os desvios serviram para alimentar a compra compulsiva de bens materiais.

“Nunca me apercebi que precisava de ajuda”, admitiu, acrescentando sempre ter efectuado compras de forma compulsiva.

“A minha mãe é que tomava conta do meu filho, porque eu deixava tudo para trás a fim de ir às compras”, acentuou a ex-bancária.