Coimbra  28 de Julho de 2021 | Director: Lino Vinhal

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Plataforma permite gestão unificada de diferentes ambientes da Internet das Coisas

25 de Maio 2021 Jornal Campeão: Plataforma permite gestão unificada de diferentes ambientes da Internet das Coisas

Investigadores da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveram uma plataforma que permite a gestão unificada de ambientes heterogéneos que suportam a Internet das coisas (IoT, na sigla inglesa), anunciou hoje a instituição.

Inicialmente, a IoT “dependia essencialmente de sensores reais (físicos), mas nos dias de hoje usa dados de outros tipos de sensores, nomeadamente virtuais e sociais, o que torna a gestão extremamente complexa”, afirma a UC, revelando que, “para ultrapassar este problema”, uma equipa de investigadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC) criou “uma plataforma que permite a gestão unificada de ambientes heterogéneos que suportam a IoT”.

“Mais do que Internet das Coisas, actualmente temos ‘Internet of Everything’, ou seja, Internet de Tudo, pois é Internet das coisas, mas é também Internet de pessoas e Internet de ‘software’. Há uma série de sensores de fontes diversas, heterogéneas, que recolhem gigantescos volumes de informação que permitem medir, entre outras variáveis, temperatura, humidade e poluição atmosférica, mas também movimentos humanos, ambientes industriais, especialmente na indústria 4.0, etc.”, explica Fernando Boavida, co-autor do estudo publicado na revista científica IEEE Internet of Things.

“Os nossos telemóveis são dispositivos repletos de sensores que, sem nos apercebermos, medem tudo e mais alguma coisa”, exemplifica.

Assim, o paradigma actual da IoT, que permite ligar a Internet a diferentes tipos de sensores e ambientes, de modo a recolher dados em larga escala, exige sistemas que façam a gestão da informação, isto é, sistemas que permitam controlar e monitorizar dados, independentemente do tipo de sensor.

Tirando partido de vários estudos sobre IoT que tem vindo a realizar ao longo de mais de uma década, juntamente com Jorge Sá Silva, do Departamento de Engenharia Eletrotécnica e de Computadores da FCTUC, a equipa partiu à procura de soluções capazes de gerir de forma eficiente e eficaz diferentes tipos de fontes de dados de IoT, refere a UC, numa nota enviada hoje.

“A partir de tecnologias amplamente adoptadas em IoT para gerir sensores reais, com destaque para a tecnologia FIWARE, desenvolvemos uma solução informática capaz de gerir diferentes tipos de sensores e analisar quais os melhores protocolos de gestão em termos de desempenho”, relata, citado pela UC, Fernando Boavida.

Na prática, esclarece o investigador, “pegou-se em protocolos e tecnologias utilizadas para gerir sensores reais, ajustando para sensores virtuais e sociais”.

Posteriormente, o protótipo do sistema desenvolvido foi testado com voluntários, estudantes da UC e de uma escola politécnica do Equador, durante um semestre, tendo demonstrado a viabilidade da abordagem proposta.

Os resultados obtidos representam mais um passo na evolução da Internet das Coisas: “com as mesmas ferramentas, consegue-se fazer uma gestão unificada de vários tipos de sensores, isto é, de ambientes heterogéneos da Internet das Coisas. É uma plataforma que permite gerir de forma eficaz os dados, independentemente do tipo de sensor – físico, virtual e social”, refere Fernando Boavida.

A fase seguinte da investigação vai centrar-se na evolução dos sensores sociais, que são os que representam o maior desafio, porque a informação que é possível extrair é praticamente ilimitada.

“Além de extrair informação das redes sociais, também queremos dar informação útil, fornecendo aconselhamento e dados que possam contribuir para a melhoria da qualidade de vida das pessoas”, conclui o investigador.