Coimbra  25 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Penacova: Explosão em Gondelim causou um morto e 24 feridos

4 de Abril 2018

Duas pessoas estão em estado crítico e três em estado grave na sequência da explosão ocorrida, hoje, num recinto de festas em Gondelim, Penacova, que também provocou um morto.

“Lamentamos um morto e 24 feridos, com duas pessoas em estado crítico, três feridos graves e 19 ligeiros. De entre estas, há cinco crianças, transportadas para o Hospital Pediátrico de Coimbra”, disse o comandante operacional distrital de Coimbra.

Um dos feridos críticos foi transportado de helicóptero para o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, onde deram também entrada todos os feridos transportados de ambulância.

De acordo a médica Paula Neto, da Delegação Regional do Centro do INEM, as pessoas feridas com gravidade apresentam queimaduras e situações de trauma grave, provavelmente por causa da explosão e do impacto.

A vítima mortal terá “entre os 20 e os 30 anos” e as crianças que estão entre os feridos ligeiros têm entre “os cinco e os 16 anos” de idade, acrescentou, sublinhando que foi também enviada para o local uma equipa de apoio psicológico para dar acompanhamento às vítimas, mas também aos familiares que se foram reunindo.

Segundo Carlos Tavares, a explosão decorreu no recinto de festas, junto à capela de N.ª Sr.ª da Moita, quando estava a ser celebrada missa e momentos antes da saída das pessoas para a procissão.

“Algo terá corrido mal no manuseamento dos artigos pirotécnicos”, referiu o comandante operacional, com as circunstâncias da explosão a serem já averiguadas pela PSP e pela PJ.

De acordo com o vice-presidente da Câmara de Penacova, João Azadinho, a pessoa que morreu estava a manusear os artigos de pirotecnia.

O autarca sublinhou que “o socorro foi muito rápido”, tendo sido destacados para o local o Apoio Social da Câmara, a Segurança Social e instituições particulares de solidariedade social.

A capela terá ficado muito danificada, assim como algumas habitações em redor do recinto de festas e mais de uma centena de pessoas assistiam aos festejos, entre os quais o presidente do Município, Humberto Oliveira, com origens neste local e que accionou os meios de socorro.

De acordo com a página da Autoridade Nacional de Protecção Civil, no local estiveram 68 operacionais, 30 veículos e três helicópteros.

PJ e PSP investigam

As razões da explosão em Penacova que provocou hoje um morto e 24 feridos estão a ser averiguadas pela PJ e pela PSP, disseram a autarquia e o comandante operacional distrital de Coimbra.

“Naturalmente, quando acontece um facto destes, é porque alguma coisa correu mal. Neste momento, ainda não conseguimos avaliar [o que aconteceu]. Os peritos estão a fazer essa averiguação para identificar as causas desta tragédia”, afirmou o presidente da Câmara de Penacova, Humberto Oliveira, que falava aos jornalistas em Gondelim, aldeia onde decorreu a explosão.

Segundo o autarca, o que “é normal é, depois da missa, decorrer a procissão e, no fim, há uma salva de fogo, com alguma dimensão”.

“Aquele fogo estaria preparado para esse momento do pós-procissão”, explicou, referindo que as pessoas responsáveis pelo espectáculo de pirotecnia seriam “provavelmente de fora do concelho”, já que não conhece ninguém com licença para operar em Penacova.

Sobre se é normal o fogo estar perto da capela onde rebentou, Humberto Oliveira disse desconhecer. “A verdade é que estava. Temos que avaliar todos as nossas responsabilidades e aquilo que temos que mudar. Em casa roubada, trancas à porta. Temos que ser mais cuidadosos para que estas situações não aconteçam. Não faz sentido acontecerem” – frisou o autarca, que é “cliente usual e habitual” da festa de Gondelim, terra natal do seu pai.

Questionado pelos jornalistas, o comandante distrital de Coimbra, Carlos Tavares, confirmou que a PSP e a PJ estão no local “a averiguar a situação”, não sabendo dizer se a vítima mortal era a pessoa que estava a manusear o material pirotécnico, o que o vice-presidente da Câmara de Penacova, João Azadinho, tinha já assumido.

Duas explosões

Artur Simão, natural de Gondelim, assistiu ao desastre, relatando que houve “uma primeira explosão e uma segunda mais intensa”, que originou “uma nuvem de fumo muito grande”, perto da capela.

“A sorte foi estar a chover e as pessoas estavam dentro da capela, porque normalmente costuma estar mais gente cá fora a assistir à missa”, sublinhou, referindo que, após a explosão, o tecto da capela caiu e com ele os candeeiros, que terão causado ferimentos nas pessoas que se encontravam dentro do espaço.

“Depois da explosão foi muita confusão, gritos por todo o lado”, realçou o habitante de Gondelim, que contou “15 minutos” entre o acidente e a chegada da primeira equipa de socorro.

De acordo com Artur Simão, hoje era o dia mais importante da festa da Senhora da Moita, que começou no sábado e termina no domingo.

Durante esta semana, emigrantes e pessoas de vários pontos do país regressam à aldeia para as festas da sua terra natal.

 

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