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Pedrógão: Relatório evidencia precipitação do director da PJ

17 de Outubro 2017

Um relatório do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais evidencia a precipitação do director nacional da Polícia Judiciária quando disse que o fogo de Pedrógão Grande teve origem em “trovoada seca”.
Segundo uma equipa liderada pelo professor universitário Xavier Viegas, o catastrófico sinistro de meados do ano terá sido causado por “contactos entre a vegetação e uma linha eléctrica de média tensão” da EDP “sem se encontrar devidamente cuidada”.
A 29 de Junho [de 2017], o “Campeão” questionou, através da edição impressa, “por que se precipitou o director da PJ”.
A afirmação de José Maria Almeida Rodrigues, soando a estranha precipitação, foi proferida volvidas pouco mais de 12 horas sobre as trágicas mortes de 64 pessoas, assinalou o director-adjunto do Jornal.
Ao porem em xeque as palavras de Almeida Rodrigues, vários munícipes de Pedrógão Grande, cuja Câmara é presidida por um antigo inspector da PJ, vincam, por exemplo, que, a 17 de Junho, a trovoada despontou perto de três horas depois do começo do incêndio.
A afirmação de José Maria tem, no entanto, a particularidade de ter sido proferida na véspera de inspectores da Polícia Judiciária se terem debruçado sobre a hipótese de queda de um raio num carvalho. A 17 e a 18 de Junho, era um pinheiro (decrépito) que mobilizava a atenção dos investigadores, confirmou ao “Campeão” uma fonte camarária.
Segundo o relatório do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais, “faixas de protecção da rede eléctrica de média tensão gerida pela EDP não se encontram devidamente cuidadas”, aspecto que é negado pela empresa.
“A falta de manutenção destas faixas faz com que existam pontos ou zonas em que a distância entre os cabos e a vegetação é inferior à requerida para que, em dias de vento, o movimento dos fios e da vegetação não dê origem a toques entre ambos, os quais podem originar descargas eléctricas e causar incêndios”, adverte um documento encomendado pelo Governo.
Neste contexto, aquele Centro da Universidade de Coimbra recomenda à EDP que “fiscalize melhor” e reforce a “exigência dos seus critérios na gestão da vegetação existente nas faixas de protecção das linhas em percursos que envolvem arvoredo”.

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