Coimbra  28 de Novembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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PCP promove tribuna pública para debater o acesso aos cuidados de saúde

28 de Outubro 2020 Jornal Campeão: PCP promove tribuna pública para debater o acesso aos cuidados de saúde

Sob o lema “Combater a covid-19, recuperar atrasos, garantir o acesso aos cuidados de saúde”, o Partido Comunista Português (PCP) vai promover, amanhã (29), pelas 17h30, uma tribuna pública junto ao Centro de Saúde Fernão de Magalhães.

Segundo o partido, em Março, “o Serviço Nacional de Saúde e os seus profissionais deram uma excelente resposta às situações criadas pelo novo coronavírus. Não fosse o SNS e a situação teria sido muito grave! É importante que o Serviço Nacional de Saúde assegure a capacidade de resposta no tratamento dos doentes com covid-19, tal como é importante que recupere a prestação de cuidados de saúde que ficaram por realizar e garanta o acesso à saúde aos doentes com outras patologias”, nota.

Assim, “para assegurar o combate à covid-19, recuperar atrasos e garantir o acesso aos cuidados de saúde a todos os portugueses, é preciso dotar o SNS, os hospitais e os centros de saúde dos meios necessários (financeiros, humanos, técnicos e materiais) para recuperar as consultas, as cirurgias, os tratamentos e os exames em atraso”, esclarece.

Para o PCP, “a situação que se vive nos cuidados de saúde primários é preocupante”, desde “milhões de consultas atrasadas; novas consultas que não são marcadas; exames de diagnóstico que não se realizam; falta de médicos, enfermeiros, técnicos, assistentes técnicos e auxiliares de acção médica, e os que estão em funções, estão exaustos; sistemas de telecomunicações e equipamentos informáticos obsoletos e extensões de saúde encerradas”.

Por isso mesmo, defende, “a recuperação da actividade nas extensões e centros de saúde tem de ser uma prioridade. Os cuidados de saúde primários tiveram e têm um importante papel no acompanhamento dos doentes com covid-19 que se encontram no seu domicílio, mas têm também um papel fundamental no diagnóstico precoce, no acompanhamento de doentes crónicos e na referenciação para a especialidade nos hospitais, quando tal se justifica, que não pode ser menorizado”, sublinhando que “a solução para os problemas que condicionam hoje o normal funcionamento do SNS não passa por transferir para os privados a prestação de cuidados com o pagamento de milhares de milhões de euros aos grupos económicos”.

Assim, pretende-se: “a criação de um plano de recuperação das actividades dos cuidados de saúde primários que garanta a realização de consultas presenciais com médico de família, de saúde materna e infantil, os rastreios e o acompanhamento dos doentes crónicos; a reabertura de todas as extensões e centros de saúde com a criação das condições necessárias, para que os utentes que não tenham espaço nas salas de espera, devido às normas de segurança sanitária e que por isso tenham de esperar fora dos edifícios, possam fazê-lo em condições de comodidade e segurança; a contratação dos médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes técnicos e assistentes operacionais em falta; a atribuição do médico e enfermeiro de família a todos os utentes; a contratação de médicos estrangeiros, a título excepcional e transitório, enquanto não haja condições para assegurar a todos os utentes médico de família; a modernização das redes de comunicações das extensões e centros de saúde, em particular das comunicações telefónicas e electrónicas, bem como dos equipamentos informáticos; a criação de um regime excepcional de incentivos à recuperação da actividade assistencial nos cuidados de saúde primários; o alargamento do horário de funcionamento das unidades dos cuidados de saúde primários; a articulação com as unidades hospitalares para a realização de exames complementares de diagnóstico e terapêutica prescritos pelo médico de família, a par da progressiva dotação dos centros de saúde de equipamentos para a realização de exames.