Coimbra  25 de Junho de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Pacheco Pereira alerta para riscos da falta de mediação

21 de Fevereiro 2019

O historiador Pacheco Pereira alertou, hoje, para o facto de a mediação estar em crise, abrangendo o jornalismo, e considerou que “democracia sem mediação não é democracia”.
Investigador da História contemporânea de Portugal, o antigo líder parlamentar do PSD interveio numa conferência subordinada ao tema “Combate às “fake news” – uma questão democrática”, organizada pelas agências noticiosas de Portugal e Espanha.
Segundo o orador, a “crise das mediações” atinge todos os saberes qualificados e institucionais, sendo, por isso, um factor de dissolução da democracia.
O investigador criticou a “complacência e a tolerância” face à ignorância tecnológica alimentada pelas redes sociais, sublinhando ser a “rapidez inimiga do pensamento” e favorecer o empobrecimento social.
“Acho espantosa a complacência e a tolerância que as pessoas têm em relação à ignorância se vier enfardada de tecnologia”, advertiu.
Para Pacheco Pereira, o problema não é só das ‘fake news’ (desinformação), mas também da falência das escolas e das famílias como mecanismo de socialização.
O historiador aludiu a “um vasto conjunto de saberes e de conhecimentos” que não são, hoje em dia, valorizados.
Na sua análise sobre as ‘fake news’, destacou que elas não são um fenómeno tecnológico e sim o “resultado de mudanças sociais” e, por isso, é para a sociedade que é preciso olhar em primeiro lugar: para a solidão urbana, para o isolamento na multidão, perda de relações sociais com conteúdo afectivo, diminuição dos contactos reais substituídos por contactos virtuais, incremento da solidão apoiada na tecnologia e agravamento dos mecanismos de diferenciação social.
“Não são as tecnologias que mudam a sociedade é a sociedade que muda as tecnologias”, preveniu.

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