Coimbra  16 de Junho de 2021 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Ordem dos Médicos do Centro pede confinamento rígido

19 de Janeiro 2021 Jornal Campeão: Ordem dos Médicos do Centro pede confinamento rígido

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) levou a cabo uma reunião de emergência para analisar o actual contexto epidemiológico, considerando a gravidade da propagação da pandemia e o eminente esgotamento da capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

“O número de casos na região Centro tem aumentado, desde o final do ano passado, e está, neste momento, com tendência forte de crescimento. Na região Centro, no final de Dezembro, a média dos casos rondava os 600 a 800 casos diários e, neste momento, estamos a atingir o patamar dos 2 000 casos diários”, afirmou Carlos Cortes, presidente da SRCOM.

“As tímidas medidas definidas para este confinamento são, para utilizar um termo muito caro à Direcção-Geral da Saúde, completamente desproporcionadas face à falência das instituições de saúde e aos caos que, pouco a pouco, se está a instalar. Relembramos que, em Março, iniciámos o confinamento com três centenas de casos de infecção e duas mortes. Esta semana estivemos sistematicamente acima dos 10 000 casos e à volta de 150 mortes diárias. Os serviços de internamento covid-19 dos hospitais, apesar de estarem a ocupar as camas de outros serviços, estão sem capacidade, assim como os Serviços de Medicina Intensiva que estão no limiar da ruptura. Este é o retrato de um país que merecia um confinamento adaptado a esta trágica realidade assim como de medidas sérias e corajosas. O país não pode continuar a fingir que a situação não é dramática”, sublinhou o presidente.

Assim, na sequência da reunião, a SRCOM desafia os responsáveis do Ministério da Saúde, da Direcção-Geral da Saúde (DGS) e da Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC) a implementarem medidas “mais restritivas e corajosas” e a “não permitir, sob qualquer pretexto, que os doentes com outras patologias graves e prioritárias possam ser discriminados”.

Considerando, ainda, o forte impacto da pandemia em todo o sistema de saúde, a SRCOM preconiza a necessidade de implementação de várias medidas e vem alertar a ARSC para:

– uniformização das medidas de intervenção, por parte das unidades de saúde pública e nos cuidados de saúde na comunidade, junto das instituições escolares, para evitar a adopção de medidas diferentes para situações idênticas;

– encerramento imediato das escolas em todos os níveis de ensino para evitar a circulação e ajuntamento não só dos alunos mas, também, dos encarregados de educação;

– implementação de medidas mais rígidas de confinamento;

– intervenção das autoridades em locais públicos para controlar a correcta aplicação das medidas de prevenção e confinamento;

– acesso massivo a exames de diagnóstico da covid-19;

– exigir uma correcta utilização dos testes rápidos de antigénio para não permitir que se reproduza a falsa sensação de segurança que contribuiu para o descontrolo causado pelas festas de final de ano;

– acelerar e difundir a vacinação para as pessoas mais expostas e mais frágeis;

– mobilização de recursos humanos para auxiliar na gestão e nos cuidados de saúde dos doentes covid, libertando médicos para tarefas clínicas de maior complexidade e gravidade;

– utilização de toda a capacidade instalada de saúde pública, privada, social e militar, nomeadamente a capacidade de internamento do Centro de Saúde Militar de Coimbra.

“Os princípios éticos e deontológicos dos médicos não podem ser postos em causa por medidas que possam vir a discriminar ou segregar doentes e patologias, com medidas impostas superiormente em relação aos doentes oncológicos”, defende Carlos Cortes.

O responsável acrescenta, ainda: “a situação é gravíssima e, em simultâneo, estamos a fazer um confinamento de pacotilha, pois apenas 40 por cento dos habitantes estão no domicílio”.

“Estamos actualmente a enfrentar uma medicina de catástrofe. Estamos perante uma situação de catástrofe em que o sistema de saúde já não consegue responder eficazmente. Se as autoridades não reagirem rapidamente estaremos perante um drama nacional”, concluiu o presidente da SRCOM.