Coimbra  29 de Setembro de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Ordem dos Médicos do Centro diz que Hospital de Aveiro enfrenta falta de cirurgiões

10 de Setembro 2020 Jornal Campeão: Ordem dos Médicos do Centro diz que Hospital de Aveiro enfrenta falta de cirurgiões

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) considerou “extremamente preocupante e grave” o problema da falta de cirurgiões no Centro Hospitalar do Baixo Vouga (CHBV) e, tendo em conta o mais recente mapa de colocações de recém-especialistas que apenas contempla uma vaga, questionou já o Ministério da Saúde sobre esta e outras falhas.

“Estamos a enfrentar um problema muito grave face à escassez de médicos para a urgência de Aveiro e para a actividade assistencial normal do serviço”, assume Carlos Cortes, presidente da SRCOM.

Em carta enviada à titular da pasta da Saúde, Carlos Cortes elenca os problemas e os alertas que chegaram à Ordem dos Médicos, nos quais se destaca a escala incompleta de cirurgiões para fazer face ao Serviço de Urgência.

“O Colégio de Especialidade de Cirurgia determinou que, para a população que serve este Centro Hospitalar são necessários três cirurgiões de dia e três de noite para a Urgência externa. Idealmente, deve existir também mais um médico residente para dar apoio aos serviços de internamento. Ora, ultimamente, estão apenas escalados dois cirurgiões, sem médico residente, para fazer face a todo o hospital”, lê-se no documento.

Na mesma missiva, o presidente da SRCOM relata problemas graves decorrentes da falta de espaço físico (cinco salas para todas as especialidades cirúrgicas), instalações desadequadas e exíguas (52 camas de internamento, para uma população de referência de 380 000 habitantes) e falhas muito graves de material para o bloco operatório.

Para além do Ministério da Saúde, idêntica carta foi remetida para a Administração Regional de Saúde do Centro, para o Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Baixo Vouga e Direcção de Serviço de Cirurgia Geral do Centro Hospitalar do Baixo Vouga.

“Neste momento, os 27 cirurgiões do serviço são insuficientes para dar uma resposta adequada à população do distrito e o problema terá tendência a agravar-se, uma vez que a média de idade é já bastante elevada. Seria necessário um reforço de mais oito cirurgiões”, aponta Carlos Cortes.

“Para o Centro Hospitalar do Baixo Vouga abriram apenas 14 vagas, uma das quais para cirurgia, quando sabemos que a Urgência de Aveiro é uma das mais carenciadas da região. O Ministério da Saúde está a ignorar as dificuldades deste hospital. O Ministério da Saúde tem de travar este colapso, pois estamos a atingir um patamar em que a maioria dos médicos já não são obrigados a fazer serviço de urgência”, contestou o líder da SRCOM.

Em seu entender, “o Ministério da Saúde está a desprezar muitos hospitais da Região Centro e, ao não reforçar o CHBV, demonstra um desprezo inadmissível pelo distrito de Aveiro e um intolerável desconhecimento da realidade”.

Dos 911 médicos para as áreas hospitalares, apenas 191 das vagas são para unidades desta região; dos 39 médicos de Saúde Pública, oito vagas são atribuídas à região Centro.

No caso da escassez de médicos especialistas em Aveiro, o presidente da SRCOM assinala, ainda, as dificuldades prementes no CHBV na especialidade de Medicina Interna. “Não é admissível o que tem acontecido ao longo dos anos. Há um vazio que se começa a notar de forma incompreensível.”, critica. “É de louvar e enaltecer o esforço dos médicos perante estas condições”, assume.

Estes problemas, de acordo com a SRCOM, também se estendem ao Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC). “Olhamos para este mapa de vagas e verificamos que o CHUC está “incompreensivelmente a ser esvaziado: Apenas 21 por centro das vagas de recém-especialistas contemplam o CHUC”.

“O Ministério da Saúde tem de travar este colapso, pois estamos a atingir um patamar em que a resposta à população está cada vez mais desajustada”.

Para Carlos Cortes, de forma a suprir as necessidades de forma justa e equilibrada, “urge apostar na contratação de médicos para a Região, de forma a evitar o colapso do SNS: Há que defender, sem tréguas, o acesso em tempo útil e a humanização dos cuidados de saúde”.