Coimbra  21 de Setembro de 2021 | Director: Lino Vinhal

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Ordem dos Médicos do Centro denuncia falência assistencial nas urgências dos Covões

4 de Agosto 2021 Jornal Campeão: Ordem dos Médicos do Centro denuncia falência assistencial nas urgências dos Covões

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) lamenta que, mais uma vez, durante o período estival se aproveite para diminuir a capacidade de resposta de cuidados do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) através do pólo do Hospital Geral (Covões), neste caso perante a falta de capacidade de resposta de imagiologia no Serviço de Urgência que não tem qualquer médico especialista em Imagiologia durante o período da manhã, entre as 09h00 e as 13h00.

“Com a Urgência aberta a partir das 09h00 – situação já de si incompreensível e que a Ordem dos Médicos tem vindo a criticar com veemência – poderá ser necessário efectuar, por exemplo, uma ecografia abdominal ou renal, que pode ajudar a salvar vidas. Porém, com a falta de imagiologista qualquer pedido urgente poderá ser protelado até às 13h00 ou mais horas, ou então, deslocar-se-á o doente ao pólo A nesse período acompanhado por médico e em situação emergente. É insustentável!”, assume o presidente da SRCOM.

Ou seja, com a actual escala do médico especialista em Imagiologia (13h00 – 20h00) no pólo do Hospital dos Covões um utente poderá ficar sem ecografia desde o fim do dia até às 13h00 do dia seguinte. Aos sábados, domingos e feriados a escala de imagiologia vigora apenas em regime de prevenção.

Carlos Cortes considera que estas graves dificuldades mostram o risco de ter uma urgência sem meios de socorro que são de extrema importância numa resposta de emergência.

“A falta de meios tem um impacto devastador”, acrescentando que “é deplorável que não seja apresentado um plano concreto e público para o CHUC e seus vários pólos e que se aproveite cada momento para reduzir ainda mais a resposta em cuidados de saúde de Coimbra e da região. O Centro não precisa de menos Saúde, precisa, sim, de uma melhor resposta e de mais planificação”.

“É urgente uma intervenção do Ministério da Saúde e da Administração Regional de Saúde do Centro, uma vez que estas lacunas têm um forte impacto na prestação dos cuidados de saúde em toda a região. Este caso é ilustrativo das situações de limitação de recursos humanos e técnicos na urgência dos Covões bem como da gritante falta de visão estratégica”, conclui.

CHUC esclarece

Na sequência da notícia anterior, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) informou que o Serviço de Imagem Médica do CHUC tem tentado articular da melhor forma a resposta a todos os utentes, independentemente da sua origem ou localização da assistência.

“A situação pandémica que vivemos tem condicionado uma constante adaptação de horários para que a resposta, seja em urgência, seja em actividade programada, nos diferentes pólos do CHUC (HUC, Hospital Geral (HG) e Hospital Pediátrico) seja a mais eficaz, com os recursos disponíveis.

De acordo com o CHUC, “a separação de circuitos de doentes (infectados /não infectados) levou à necessidade de deslocalização de equipamentos para poder manter a resposta aos doentes, minimizando os riscos de infecção”. Em concreto, no Hospital Geral (Covões), houve necessidade de efectuar as ecografias aos doentes em regime de ambulatório no edifício das consultas externas, reservando-se o equipamento presente no interior do Serviço para os doentes internados e para o Serviço de Urgência.

Após profunda remodelação do interior do Serviço de Imagem Médica, que possibilitou uma melhor separação dos circuitos de doentes, associada ao esforço de investimento que tem estado a ser efectuado no Hospital Geral e que levou à aquisição de um equipamento de TAC e de ecografia, é hoje possível voltar a fazer as ecografias do ambulatório no interior do Serviço de Imagem Médica. Assim, os radiologistas que se encontravam a trabalhar em ecografia no edifício das Consultas Externas (exterior mas próximo do edifício do Hospital Geral) vão retornar ao interior do Serviço de Imagem Médica.

“Salienta-se que, desde o início da pandemia, para melhor responder ao número de solicitações geradas nos dois pólos do Serviço de Urgência de adultos (HUC e HG), minimizando a deslocalização dos doentes, foram efectuadas várias adaptações no horário da urgência de ecografia do polo HG, tendo inclusive sido estabelecido o apoio em regime de prevenção ao fim-de-semana. Presentemente, e atendendo ao número de exames e horário das solicitações, concentrou-se o horário com presença física das 13h00-20h00 nos dias de semana e prevenção ao fim-de-semana (09h00-19h00). De referir que o atendimento por TAC mantém-se em permanência 24 horas por dia, 7 dias por semana, com relato dos exames no pólo HUC.

O CHUC esclarece ainda que para além de TAC e ecografia, no Hospital Geral, existe também um equipamento de Ressonância Magnética, recentemente actualizado, que funciona de segunda a sexta-feira, no período da manhã e tarde, com um radiologista ou neurorradiologista presente.

O Centro Hospitalar reconhece que o Serviço de Imagem Médica tem escassez de recursos para rentabilizar todos os equipamentos em todos os pólos nos períodos da manhã e da tarde. “São necessárias adaptações permanentes conforme as circunstâncias exigem, com bom senso e capacidade de adaptação de todos, radiologistas e médicos prescritores, sempre com o objetivo de melhor atender o doente”, disse.

“Destaca-se ainda que actualmente, com grande esforço e dedicação, o Serviço de Imagem Médica do CHUC é o único Serviço de Radiologia do País com escala de urgência médica em presença física 24 horas por dia, 365 dias por ano, circunstância da qual a SRC da Ordem dos Médicos deverá, seguramente, orgulhar-se”, concluiu.