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Ordem dos Médicos diz que desqualificação dos Covões configura desobediência

27 de Julho 2020 Jornal Campeão: Ordem dos Médicos diz que desqualificação dos Covões configura desobediência

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) considera que o Conselho de Administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) não cumpre com os pressupostos expressos pelo Ministério da Saúde.

Segundo a SRCOM, o Ministério da Saúde “assume, em correspondência enviada à Ordem dos Médicos, a inexistência de qualquer estudo sobre a desclassificação da Urgência do Hospital Geral, comummente conhecido como Hospital dos Covões”. “Mais, a própria tutela esclarece que essa desqualificação nunca poderia ter lugar sem autorização superior e sem a existência de um estudo técnico” – acrescenta.

Neste sentido, a SRCOM alerta que esta posição do Conselho de Administração do CHUC “configura, na prática, um acto de desobediência perante o Ministério da Saúde”.

Assim, a SRCOM insta o Conselho de Administração do CHUC a reverter o caminho de desmantelamento já iniciado e a respeitar as orientações provenientes superiores.

Desde o início do ano, a capacidade de internamento do Hospital dos Covões passou de 205 para 134 camas, o que representa uma redução de 71 camas. A Unidade de Cuidados Intensivos Coronários e os serviços de internamento de Cardiologia, Ortotraumatologia e Pneumologia foram extintos, entre outros.

“O Serviço de Urgência – período das 09h00 às 21h00 – perdeu quase metade da equipa. Hoje as Urgências são asseguradas por uma equipa de oito médicos, dos quais apenas dois são especialistas, quando até ao início de Março eram asseguradas por 15 médicos, dos quais seis especialistas eram médico-cirúrgicos”, refere a SRCOM.

Segundo Carlos Cortes, “o que está a acontecer não é o desmantelamento de um Hospital, é muito mais do que isso, é a contracção perigosa de todo o CHUC diminuindo a sua capacidade de resposta e o apoio que tem dado à população de toda a região Centro.”

O presidente da SRCOM acrescenta que “quem pensa desta forma tem uma estratégia minimalista para os cuidados de saúde e está a comprometer um pilar fundamental da oferta em saúde no nosso país”.