Coimbra  27 de Janeiro de 2022 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Ordem dos Médicos alerta para situação caótica na ULS da Guarda

13 de Janeiro 2022 Jornal Campeão: Ordem dos Médicos alerta para situação caótica na ULS da Guarda

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) escreveu, hoje (13), uma carta à ministra da Saúde a alertar para as graves consequências da falta de nomeação dos directores de serviço da Unidade Local de Saúde da Guarda, situação que se arrasta há demasiado tempo de que resultam graves consequências sobre a organização hospitalar e os cuidados de saúde prestados. “São múltiplos casos de atrasos incompreensíveis”, lê-se na missiva.

O presidente da SRCOM, Carlos Cortes, chama a atenção para “as implicações nefastas” que a ausência dessa nomeação acarreta. “Mais grave, ainda, é perpetuar situações de serviços sem directores nomeados da própria especialidade médica, o que tem causado graves dificuldades no desenvolvimento do serviço, como a Oftalmologia ou Ortopedia”, refere a mesma carta.

Na missiva, a Ordem dos Médicos alerta para a “situação real” do Hospital de Sousa Martins, a principal unidade hospitalar da ULS da Guarda: “os serviços de Pneumologia, Dermatologia, Medicina Física e Reabilitação, Medicina Interna, Otorrinolaringologia, Reumatologia e Neurologia mantêm os seus diretores em funções desde 2017 e não temos conhecimento, até ao momento, da abertura de procedimento concursal para os mesmos”. Em Ginecologia/Obstetrícia, o director de serviço terminará funções em 2022 e, “segundo informação prestada já terá solicitado a aposentação”. O serviço de Psiquiatria, “devido a aposentação do director de serviço, foi nomeado pelo Conselho de Administração um assistente graduado sénior para desempenho ‘interino’ daquelas funções. Sem recurso a qualquer tipo de procedimento administrativo”.

Há ainda “alguns concursos abertos a aguardar resolução”: Anestesiologia (sem candidatos) Cardiologia (2 concorrentes), Pediatria (2 concorrentes), Medicina Intensiva (2 concorrentes), Ortopedia (sem candidatos), Cirurgia (2 concorrentes), Oftalmologia (1 concorrente).

No total, são 16 serviços hospitalares “com atrasos incompreensíveis nas nomeações dos directores”, resultando em falta de planeamento dos cuidados de saúde a levar a cabo aos utentes, indefinição da organização na prestação de cuidados de saúde, entre muitas outras competências e atribuições inerentes a este cargo e plasmadas no art.º 28º do Decreto-Lei n.º 18/2017, de 10 de fevereiro.

Todas estas situações configuram um desleixo preocupante que contribui para um clima de descontentamento e instabilidade da instituição”, assume Carlos Cortes, que, na mesmo ofício, solicita a intervenção da ministra da Saúde.