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Ordem dos Médicos acusa Ministério de ter “dois pesos e duas medidas”

1 de Fevereiro 2018

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) acusa a tutela de ter “dois pesos e duas medidas” uma vez que, para alguns hospitais e centros de saúde permite a contratação de médicos fora do âmbito dos concursos normalmente previstos e, para outros casos, não autoriza esse procedimento.

O impasse no recrutamento dos profissionais especialistas é, também, alvo de críticas por parte da Ordem dos Médicos do Centro, dizendo que o Ministério “perdeu a capacidade de gerir os recursos humanos do sector”.

Os concursos, que a tutela “continua a protelar”, estão a deixar 710 profissionais recém-especialistas (dos quais 234 são da região Centro), que concluíram o internato de especialidade em 2017, com futuro incerto.

A SRCOM apelida de “vergonhoso processo concursal manchado de ilegalidade” que o Ministério permitiu que se concretizasse, no qual médicos sem especialidade podem substituir médicos de família.

Para conhecer a realidade, a SRCOM contactou os 234 médicos da região Centro, que concluíram o internato de especialidade no ano passado, quer através de correio electrónico quer por telefone. “Os resultados demonstram o estado actual do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e a desesperança destes recursos humanos de excelência: 65 por cento ainda aguardam por concurso; 6 por cento abandonaram o SNS e estão no sector privado; e 28 por cento foram colocados através de contratação directa”, assinala a Ordem, adiantando que “nove em cada 10 médicos se opõe à fusão dos dois concursos previstos para 2017 e que ainda não se realizaram”.

“O Ministério da Saúde está a criar uma selva, sem regras e sem critérios. Há hospitais e centros de saúde com situações muito críticas”, acusa o presidente da SRCOM, Carlos Cortes.

Na opinião do responsável, além de “desrespeitar os concursos normalmente programados, o Ministério da Saúde está a privilegiar alguns hospitais sem qualquer critério, criando assim uma situação de gritante desigualdade entre unidades de saúde e entre médicos – uns, esperando por um concurso que nunca mais surge e, outros, já com um contrato de médico especialista”.

Carlos Cortes conclui, sublinhando que “o Ministério da Saúde é o primeiro a prevaricar e introduzir inequidade entre unidades de saúde. Fica assim demonstrada a total incompetência do Ministério na gestão dos recursos humanos, área sem a qual é impossível levar a cabo um adequado desempenho do SNS”.

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