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Ordem alerta para 234 médicos de áreas hospitalares com futuro incerto

23 de Janeiro 2018

A Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos (SRCOM) critica a actual gestão de recursos humanos por parte do Ministério da Saúde, solicitando, com urgência, a contratação de médicos especialistas.

Em causa está o futuro de 234 profissionais da região Centro, que fazem parte dos 710 médicos recém-especialistas das áreas hospitalares e 15 da área de Saúde Pública, uma vez que “o Ministério da Saúde decidiu juntar, inexplicavelmente as duas fases da conclusão da especialidade (Maio de 2017 e Outubro de 2017)”, revela Carlos Cortes, presidente da SRCOM.

O médico considera “inaceitável ausência de concursos e um profundo desrespeito pelos recém-especialistas que aguardam a abertura desse procedimento”, afirmando, por isso, que a “tutela não está a cumprir a legislação em vigor, tal como foi cumprida até 2016”.

Carlos Cortes lamenta que só recentemente o Ministério “tenha solicitado aos hospitais as informações atinentes às necessidades de recursos humanos médicos, demonstrando a total confusão reinante neste processo”.

De acordo com um documento da Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) a que a SRCOM teve acesso, o Ministério da Saúde apenas pretende abrir “115 vagas da área hospitalar para a região Centro”, ou seja, “muito aquém do número de especialistas que os mesmos hospitais formaram e que representam menos de metade dos médicos formados por esses hospitais!”, repudia o presidente da SRCOM.

“Não é aceitável nem compreensível, nem justo, a fusão de dois concursos num só, desrespeitando a igualdade de oportunidades e defraudando a justa expectativa de profissionais em formação para uma especialidade médica desde há sete anos”, denuncia.

Espera-se que, dentro de dois meses, mais umas centenas de médicos concluam a sua especialidade, deixando Carlos Cortes e questionar se a “ACSS pretende expor também estes candidatos ao mesmo concurso dos que já acabaram a especialidade no ano passado?”.

Para o médico, o Ministério “não cumpre a lei, atrasa a entrada de especialistas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), e, com este inaceitável atraso, incentiva os jovens especialistas a escolher outras vias profissionais e até a saída do país”.

E conclui, dizendo que “perante estes acontecimentos, cada vez mais críticos na prestação dos cuidados de saúde e para os quais é amplamente reconhecido o papel do médico, a actual actuação do Ministério da Saúde demonstra um desfasamento com as necessidades prementes dos doentes. É incompreensível esta realidade com tanta falta de médicos no SNS”.

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