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Orçamento municipal de Soure ronda os 25 milhões de euros

31 de Janeiro 2024 Jornal Campeão: Orçamento municipal de Soure ronda os 25 milhões de euros

O orçamento para 2024 do Município de Soure ronda os 25 milhões de euros, pouco acima do montante de 2023, que ascendeu a 24,5 milhões de euros.

“Trata-se de um orçamento de fim de ciclo”, disse à agência Lusa o presidente da Câmara Municipal, Mário Jorge Nunes.

O autarca do PS lembrou que está a cumprir o terceiro mandato e que, em 2023, a autarquia fez “um esforço enorme para concluir com sucesso obras e projectos” financiados pelo Portugal 2020.

“É também um orçamento de continuidade”, sublinhou, ao recuperar a argumentação apresentada ao Executivo e à Assembleia Municipal (AM), nas reuniões em que os documentos previsionais foram aprovados.

Na Câmara, tiveram os votos a favor dos quatro eleitos do PS, enquanto os três vereadores do PSD votaram conta.

Na AM, o orçamento, que totaliza 24.888.881 euros, foi aprovado com 20 votos a favor (19 do PS e um do Chega) e oito contra (seis do PSD e dois da CDU).

Esta votação incluiu as grandes opções do plano, o mapa de pessoal e o plano e o orçamento da empresa intermunicipal Águas do Baixo Mondego e Gândara (ABMG), igualmente aprovados por maioria.

“O orçamento inclui um conjunto de investimentos que apenas sinalizámos”, ressalvou Mário Jorge Nunes. Explicou que se trata de projectos que “poderão vir a ser contemplados” por apoios do Estado e da União Europeia, designadamente ao nível ambiental, turístico e da regeneração urbana, mas também ao nível do abastecimento de água, saneamento e resíduos sólidos urbanos, áreas nas quais está previsto “um forte investimento” da parte da ABMG.

O presidente da Câmara admitiu que o PS “quis ser cauteloso”, enquanto a oposição do PSD preferia “um orçamento com mais audácia”, já que “não se revê na continuidade”.

“Não valia a pena estar aqui a engordar o orçamento de 2024”, embora, ao abrigo dos apoios do Portugal 2030, o investimento público em Soure nesta década possa “chegar aos 10 milhões de euros”, calculou.

Recorrendo ao crédito bancário, o Município vai realizar “dois grandes investimentos” na rede viária do concelho.

Mário Jorge Nunes enfatizou que este orçamento foi concebido face a uma conjuntura de “grande instabilidade a nível económico mundial”, o que se reflete, por exemplo, nos custos da energia e com mão-de-obra.

“O cenário de estabilidade política também se alterou bruscamente, no último trimestre de 2023, e os municípios estão longe de estar a salvo de qualquer processo de alteração do elenco governativo. Aumenta a incerteza sobre a perspectiva orçamental do Estado, interrompem-se fluxos funcionais e de decisão em matérias tão relevantes como a transferência de competências e, sobretudo, desacelera o ritmo de execução de fundos comunitários”, justifica o presidente no “Enquadramento estratégico” apresentado aos órgãos municipais.

A vereadora Sónia Vidal, que em 2021 encabeçou a candidatura do PSD à Câmara de Soure, disse à Lusa que, da parte do seu partido, “o sentido de voto contra foi na generalidade”, já que, “na especialidade, em determinadas situações existem aspectos positivos” no orçamento.

“Não podemos centrar a nossa acção em projectos que pouco trazem para o nosso concelho, a não ser uma acção de cosmética para a vila de Soure. E as restantes freguesias do concelho, que acções e que políticas estão direccionadas para estas e que encontrem, efectivamente, execução?”, questionou o PSD, na declaração de voto.

O orçamento não inclui medidas “essenciais para o progresso” local, “não obstante a existência de algumas medidas positivas”, reconheceu.