Coimbra  20 de Setembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Oftalmologista do CHUC lidera estudo sobre internacional sobre DMI

5 de Setembro 2019

Rufino Silva, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) e oftalmologista no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), liderou um estudo que envolve investigadores internacionais sobre a melhor forma de tratar um dos subtipos da Degenerescência Macular da Idade (DMI).

O “Atlantic” é o primeiro estudo realizado em caucasianos sobre a eficácia de um tratamento para a Vasculopatia Polipoide Coroideia (VPC), uma das formas de apresentação da Degenerescência Macular da Idade (DMI) em todo o mundo, e que é a primeira causa de cegueira após os 55 anos de idade.

Este é o primeiro ensaio clínico, “multicêntrico, randomizado, realizado em caucasianos, a estudar a segurança e a eficácia da substância Aflibercept no tratamento da VPC. Este estudo comparou a monoterapia com Aflibercept com o tratamento combinado de Aflibercept associado à terapia fotodinâmica com Verteporfina”, revela o investigador.

“Até agora, apenas existiam dados consistentes sobre a eficácia desta substância nas populações asiáticas, onde a doença assume maior expressão. A incidência nas populações caucasianas está sub-diagnosticada e não havia evidência de grande nível científico sobre a selecção da melhor abordagem terapêutica”, adianta.

A PCV é responsável por cerca de 10 a 15 por cento dos casos de DMI, sendo que esta doença tem um enorme impacto económico nos sistemas de saúde, além do impacto social na vida de doentes e familiares.

Segundo Rufino Silva, a “DMI pode surgir de duas formas: a mais precoce, muito mais frequente, assume menor gravidade; já a forma tardia é a principal causa de deficiência visual irreversível e cegueira nos idosos nos países desenvolvidos”.

“É importante que qualquer pessoa com mais de 50 anos de idade, ao notar uma distorção das imagens, procure imediatamente acompanhamento por um médico oftalmologista, mesmo que não tenha a visão central diminuída. Este acompanhamento é fundamental se tiver antecedentes familiares de DMI. É essencial que se inicie o tratamento o mais precocemente possível e antes que haja perda significativa de visão”, aconselha o professor.

Os resultados desta investigação, que contou com a participação de 18 centros em Portugal e Espanha, representam “um contributo muito importante para o conhecimento desta doença e para a forma de a tratar”, até porque “demonstram a eficácia da monoterapia”, esclarece.

Estes resultados vão ser apresentados em Paris, durante o congresso mais importante na área da retina, que tem início hoje e termina no domingo (08), reunindo cerca de 5 000 especialistas.

O “Atlantic” foi promovido pela AIBILI – EVICR (Associação para a Investigação Biomédica e Inovação em Luz e Imagem – European Vision Institute Clinical Research Network).

Com o gradual envelhecimento da população, estimativas recentes apontam para um número projectado de pessoas com DMI de 196 milhões em 2020 e de 288 milhões em 2040. Em Portugal há cerca de 360 000 pessoas com a forma precoce da doença e cerca de 36 000 com as formas tardias e causadoras de perda grave de visão e cegueira.

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