Coimbra  19 de Novembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Obrigado Padeiros: Menos sal no pão reduziu doenças na região Centro

16 de Outubro 2019

A diminuição de sal no pão consumido na região Centro, no âmbito do projecto pão.come, está a contribuir para a redução de doenças de cérebro e cardiovasculares, disse, ontem, a coordenadora do programa, Ilídia Duarte.

“Há 12 anos a região Centro apresentava um dos piores indicadores de saúde nacionais nas doenças de cérebro e cardiovasculares e actualmente somos a região que apresenta os melhores resultados nas mortes prematuras antes dos 75 anos”, disse a técnica da Administração Regional de Saúde do Centro (ARSC), que desenvolveu o projecto.

Ilídia Duarte falava na cerimónia “Obrigada Padeiros”, promovida pela ARSC, em Coimbra, de homenagem aos cerca de 2 000 profissionais do sector da panificação envolvidos no projecto, que é pioneiro a nível nacional e citado como exemplo a nível nacional.

Desenvolvido desde 2007, o projecto de intervenção comunitária pão.come conta com a participação de 930 padarias da região Centro, o que equivalente a 83 por cento das existentes neste território, distribuídas por 78 concelhos, e abrange 1,6 milhões de pessoas, inserindo-se na estratégia minorsal/pão.come.

Através de um processo gradual, o projecto introduziu a diminuição do teor de sal no pão, com a meta, já atingida, numa grande parte dos estabelecimentos, de 0,8g de sal por 100g de pão.

Desde o início, em 2007, foram realizadas 10 595 análises de monitorização/avaliação analítica do sal adicionado ao pão: 76 por cento das padarias em projecto apresentaram valores de sal iguais ou inferiores de 1g de sal por 100g de pão e 55 por cento apresentaram valores analíticos iguais ou inferiores a 0,8g de sal por 100g de pão.

“Os panificadores gostam muito de melhorar, de fazer coisas novas, e, sobretudo, de serem úteis para a população em geral e para a saúde pública”, salientou a secretária-geral da Associação do Comércio e Indústria de Panificação, Pastelaria e Similares (ACIP), entidade parceira no projecto.

Segundo Graça Calisto, a seguir ao sal falta “entrar nas gorduras e diminuir os ácidos gordos, como está previsto na lei e do protocolo assinado entre a ACIP e o Ministério da Saúde”.

Para que todos os panificadores adiram ao projecto pão.come, a dirigente diz que é preciso tempo, “coisa que eles não têm”, embora a “velha guarda ainda esteja pouco receptiva, mas acho que vamos conseguir”.

Na cerimónia de ontem à tarde, a ARSC e o Modelo Continente Hipermercados, S.A. assinaram um protocolo de cooperação no âmbito do projecto pão.come, que contava já com a participação da cadeia de distribuição Auchan.

Em declarações à agência Lusa, Tomás Lince Fernandes, director-comercial de Frescos do Continente, destacou a vontade da marca em proporcionar aos seus clientes da região Centro a oferta de pão com teor de sal mais baixo, como já acontece em três lojas.

“Agora é o compromisso formal de ter pão em todas as lojas com teor de sal abaixo do máximo permitido por lei e de alargar esta estratégia a mais áreas do país”, salientou.

 

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