Coimbra  15 de Setembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Obras na Nacional 110 deixam habitantes do Caneiro sem transporte

30 de Maio 2019

As obras de estabilização de taludes na Estrada Nacional 110, que liga Coimbra a Penacova, está deixar os habitantes, em particular da localidade de Caneiro, sem transporte público.

A queixa dos moradores chegou aos autarcas da CDU da freguesia de Lorvão, que denunciam a situação a que muitos cidadãos, já com o passe pago, estão sujeitos. Os passageiros “passaram a ter apenas um autocarro para Coimbra, com saída do Caneiro às 07h02 e outro para regressar, com saída de Coimbra às 19h00 e apenas de segunda a sexta-feira”, explica a CDU.

Segundo a mãe de uma criança que utiliza regularmente aquela linha de transporte, “este era um problema que já previa, mas que foi sendo adiado até ao início das obras”.

Contactada pelo “Campeão”, a encarregada de educação explica que o filho “teria de acordar às 06h30 para poder apanhar o único autocarro” e só podendo chegar a casa “depois das 19h00”.

A CDU corrobora essa ideia dizendo que “as pessoas são obrigadas a sair de casa antes das 07h00 da manhã e a chegar a casa próximo das 20h00, estando fora cerca de 13 horas diárias, com a agravante de haver crianças que estão sujeitas ao mesmo horário e terem de aguardar em Coimbra, cerca de uma hora e meia até que abram os estabelecimentos escolares que frequentam”.

Antes do início das obras, na passada segunda-feira (27), a população era servida com quatro autocarros entre as 07h30 e as 08h30 em direcção a Coimbra, com idêntica oferta no regresso, ao final do dia. Horários “que as pessoas usavam em função das suas necessidades e para os quais adquiriram os respectivos passes”, esclarece.

A CDU não contesta a “importância das obras e as medidas de segurança que haja necessidade de acatar na execução da obra, quer para os trabalhadores, quer para as populações e utentes da estrada, mas as obras não podem interromper a vida das pessoas, que não têm alternativa de passagem”.

O deputado da CDU Eduardo Ferreira sugere que “deveria ser aberto um corredor com blocos de cimento, garantindo, claro, a segurança”, lamentando que a ideia parece ser “o corte total da via, mesmo aos fins-de-semana”. “A obra deve permitir que entre o fim do dia e o reinício dos trabalhos, no dia seguinte, seja aberta uma via de circulação, assim como ao fim-de-semana, e que o período de corte da estrada seja encurtado o mais possível, para que, mesmo com alguns constrangimentos, que se aceitam, os utentes possam continuar a viver aqui e as empresas de canoagem possam exercer a sua actividade”, reclama Eduardo Ferreira.

“Não é aceitável que a vida das pessoas seja interrompida por causa das obras”, atira o deputado, acrescentando que as mais prejudicadas são as do Caneiro, mas outras localidades também são afectadas.

A população reclama, por isso, que a disponibilidade de transporte seja reforçada em “pelo menos mais um autocarro de manhã, por volta das 08h00 e outro de regresso, entre as 17h30 e as 18h00, mesmo que seja através de viaturas mais pequenas”.

Segundo a CDU, alguns passageiros admitem mesmo “contratar táxis e apresentar a conta à Transdev, que lhes vendeu os passes, à Câmara Municipal e à Junta de Freguesia que não souberam acautelar os interesses e necessidades da população”.

A intervenção nos taludes irá decorrer durante 68 dias, estando prevista a sua conclusão para o final do mês de Julho.

À agência Lusa, a Infraestruturas de Portugal (IP) revelou que nesse período “será implementado o corte total no troço da EN 110”, entre os quilómetros 7,1 e 8,6 (povoação do Caneiro)”, sublinhando que a interrupção do trânsito visa “garantir condições de segurança para automobilistas e trabalhadores da obra”.

E que, apesar do corte da via, “estão salvaguardadas condições de passagem de veículos de emergência em situações de urgência”, assegura a IP, indicando que “a zona de trabalhos e desvios de trânsito estão devidamente sinalizados, recomendando-se a utilização do IP3 e EN 17 [Estrada da Beira] como percursos alternativos”.

Nesta “luta” entram, também, os operadores de empresas especializadas em descidas no rio Mondego, que acreditam que o corte total da estrada “é a solução mais barata tecnicamente, mas não a única possível”.

O “Campeão” contactou a Câmara Municipal e a empresa Transdev mas não foi possível obter uma resposta em tempo útil.

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