Coimbra  13 de Junho de 2021 | Director: Lino Vinhal

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“O Despertar” celebra hoje 100 anos

2 de Março 2017 Jornal Campeão: “O Despertar” celebra hoje 100 anos

São 8 900 edições ao longo dos últimos 100 anos. Hoje, dia 02 de Março, o semanário “O Despertar” assinala o seu centenário numa altura em que a imprensa escrita parece ter sido relegada para segundo plano.

Esta quinta-feira o jornal mais antigo de Coimbra sai para as bancas com uma edição especial de mais de 70 páginas, que percorrem as 10 décadas de notícias, histórias e colaborações, numa viagem que é indissociável da própria história de Portugal. Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República, é a figura de destaque da capa da edição de aniversário, onde faz questão de parabenizar a publicação e de destacar a importância de “O Despertar” para a cidade de Coimbra.

Fundado por republicanos e com fortes ligações aos futricas (não estudantes), o semanário tem nos seus leitores e colaboradores a maior motivação para se ter mantido vivo ao longo destes 100 anos.

“O Despertar” foi fundado em 1917 por João Henriques, tendo passado nos anos 1930 para as mãos de António de Sousa, funcionário da casa, que se entregou ao projecto e foi passando essa paixão para a família, com o jornalista e político socialista Fausto Correia a ser o último familiar a assumir a direcção do jornal. Em 2008, após a morte de Fausto Correia, a publicação foi comprada pelo grupo Media Centro, a que também pertence o “Campeão”.

“Manter um jornal durante 100 anos na província só mesmo por milagre”, frisa Lino Vinhal, proprietário e administrador do grupo Media Centro, que entende que é a “ligação afectiva extremamente forte”; que o jornal tem com os seus colaboradores e leitores que o tornam especial.

Exemplo disso é Manuela Fonseca, de 83 anos, que lê o jornal há cerca de 70, mantendo a assinatura do seu sogro; ou Manuel Bontempo, o colaborador que escreve para “O Despertar”, ininterruptamente, há 65 anos.

Esta é, também, uma publicação que tem vindo a acompanhar gerações de várias famílias conimbricenses, passando de pais para filhos e para netos, mantendo, por isso, os cerca de 2 000 assinantes “activos, que são pagadores militantes”, explica o proprietário.

A idade centenária, que poucos jornais nacionais se podem orgulhar, é ainda mais especial sendo este um jornal regional e semanário, que “traz agarrado a si um património histórico de Coimbra e de pessoas que nenhum outro no grupo tem condições de reivindicar”. A publicação nasceu muito ligada aos futricas e vincou sempre o seu cariz local – de defesa de Coimbra – e até hiperlocal, com um foco particular na Baixa e nos Olivais, freguesia da família que durante muito tempo foi proprietária da publicação.

Zilda Monteiro, directora e única jornalista de “O Despertar”, trabalha no jornal há 15 anos e sublinha, também, a proximidade e afectividade que os colaboradores, assinantes e amigos têm para com a publicação.

E agora? O futuro faz-se caminhando!

Com uma tiragem de 5 000 exemplares, “O Despertar” começa hoje um novo caminho, mas sempre em movimento.

“Gosto de pensar o futuro mas em andamento. Caminhando. Indo. Pés no chão e olhos no horizonte, ainda que de incertezas preenchido”, afirma no editorial do jornal Lino Vinhal, desafiando a cidade, os colaboradores e amigos a “refectir sobre a melhor forma deste Jornal servir Coimbra e a sua zona envolvente”, e esperando que lhes “cheguem sinais”.

Já Zilda Monteiro assume que é difícil fazer projecções, contudo, socorre-se da primeira edição, a 02 de março de 1917, para vincar a postura do jornal em relação ao futuro: “Se sucumbirmos, procuraremos morrer com honra, se podermos caminhar é nosso intuito seguir sempre a áspera estrada do dever. Confiados no futuro, avante iremos”.

As celebrações dos 100 anos vão, ainda, contar com uma tertúlia, um almoço de convívio entre colaboradores e um lançamento de um livro sobre a publicação, entre outras iniciativas.