Coimbra  17 de Outubro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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NAV encerra aeródromo e PSD acusa Machado de mentir

3 de Junho 2019

Paulo Leitão, Nuno Freitas e Carlos Lopes do PSD Coimbra

 

A Navegação Aérea de Portugal (NAV) encerrou, oficialmente, na passada quinta-feira (30), o Aeródromo Municipal de Bissaya Barreto, em Cernache, por não ter “condições técnicas”, nomeadamente uma “manga de vento”.

A informação foi tornada pública, hoje, pela Concelhia do PSD de Coimbra, que acusa Manuel Machado de mentir e de fazer “uma promessa falsa”. Sendo que, segundo o relatório da NAV uma das condicionantes é o facto de não existir uma manga de vento (destruída com a tempestade “Leslie”, em Outubro), Nuno Freitas aponta o dedo ao executivo de Manuel Machado, que não tomou as devidas precauções para esta situação com o argumento de que teria de abrir um concurso público para adquirir tal equipamento, pelo valor de 8 000 euros.

“Não foi feita a certificação em tempo certo e, primeiro não é preciso um concurso público por 8 000 euros na Administração Público, depois há as mangas de vento profissionais que podem custar 300 euros”, explicou o líder do PSD Coimbra, sublinhando que “não é por falta de dinheiro porque a Câmara tem todas as condições para suprir estas lacunas, com 40 milhões de euros no Orçamento para 2019”.

O Aeródromo está, assim, totalmente encerrado, não podendo ser utilizado nem para actividades de fins turísticos (como o caso do pára-quedismo, salto desportivo, etc.), “nem para formação ou voos programados”, adiantou Nuno Freitas. “Não há condições de segurança nem condições básicas e físicas, até para os que aqui trabalham já que a cobertura é de amianto”, apontou o social-democrata, considerando que “o grau de investimento para este nível operacional é muito pouco”.

Nuno Freitas adiantou, ainda, que este é um assunto “tão grave e que foi escondido pela Câmara Municipal”, sendo, por isso, “a melhor demonstração de como uma campanha política sobre um aeroporto em Coimbra não tem nenhum trabalho feito na realidade para desenvolver a componente aeroportuária para a região”.

O PSD de Coimbra afirma que não quer “simplesmente criticar”, até porque concorda que “uma estrutura aeroportuária no Centro faz todo o sentido, já que existem operações de socorro, outras com efeito comercial de linhas regionais ou linhas ‘ponto a ponto’ com outros países, nomeadamente, Espanha”. Contudo, “não há condições básicas para se ter um aeródromo em Coimbra, quanto mais a falada extensão da pista ou a melhoria das condições de navegação”, sublinha Nuno Freitas.

O líder dos sociais-democratas afirmou, ainda, que “não está nos planos do Governo, nem da CIM, nem da região Centro e sendo assim é, evidentemente, um projecto falhado”.

O relatório da NAV indica que o encerramento se manterá até 07 de Junho (sexta-feira), altura em que será emitido novo documento, mediante as condições verificadas.

O desleixo que Coimbra provoca a si própria”

Nuno Freitas acredita que o Centro, congregando forças de Coimbra, Leiria, Viseu, Guarda e Castelo Branco, tem capacidade para desenvolver um projecto regional e nacional, mas “só há disposição para investir numa estrutura destas desde que haja retorno económico”.

Segundo o PSD, o trânsito interno regional (que faz o trajecto entre Bragança, Vila Real, Viseu, Tires e Portimão) duplicou entre 2017 e 2018, para cerca de 13 000 passageiros, a sua grande maioria empresários.

Paulo Leitão, vereador do PSD na Câmara, sublinhou que o aeroporto foi “uma manobra eleitoral e não um projecto estruturante e estrutural para a região”. “Há 40 000 euros para estudos (para o projecto do aeroporto de Coimbra) mas não há para manter esta estrutura, o que demonstra o que tem sido a actuação do actual presidente da Câmara”, acusa o vereador.

Os sociais-democratas revelaram, ainda, que Coimbra se pôs à margem de um concurso para receber, nos próximos quatro anos, a linha regional (entre Bragança e Portimão), não se candidatando.

“Quando desbaratamos este capital estamos a tornar Coimbra mais periférica e se a própria cidade não fizer por si, os outros também não farão”. Um projecto que, na opinião do líder concelhio, poderia ajudar a captar e a fixar investimento e turismo, desenvolvendo a assim o tecido económico.

“Coimbra já esteve nesta linha regional e até já foi o terceiro aeródromo nacional com mais movimento”, notou Nuno Freitas, realçando que “o caso do aeródromo é emblemático do desleixo que Coimbra vota a si própria”.

Aeronaves - aeródromo

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