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“Não me demito das críticas nem dos louros”

15 de Dezembro 2018

Perfil publicado a 15 de Novembro, na edição n.º 950

 

Nome: PEDRO Manuel Monteiro MACHADO
Naturalidade: Coimbra
Idade: 51 anos
Profissão: Presidente da Entidade Regional ‘Turismo Centro de Portugal’
Passatempos: Escrever, ler, cinema
Signo: Sagitário
Nasceu em Coimbra mas sempre se sentiu um “tentugalense de gema” ou não fosse toda a sua infância passada em Tentúgal, localidade com a qual nunca deixou de ter ligações apesar das “voltas da vida”. O ensino básico conclui-o em Montemor-o-velho e depois, por força da actividade comercial na Baixa aos quais os progenitores estavam ligados, mudou-se para Coimbra integrando o ensino secundário na, denominada hoje, Escola José Falcão. Nasceu e cresceu como filho único mas acredita que as vivências com os amigos colmataram facilmente essa lacuna na sua vida: “não senti a falta de ter um irmão porque sempre fui uma criança muito sociável. Tinha muitos apoios. Ainda hoje sou padrinho de várias crianças, hoje homens, e isso deveu-se à minha condição de filho único que gravitava para as casas perto da minha e a minha vida e os meus tempos livres passava-os sempre em comunidade com os vizinhos e amigos. A prova disso é que sempre tive um grupo de cinco ou seis amigos que todos os dias estavam comigo e éramos, sem dúvida, como irmãos.”
No secundário optou pela área das letras porque “não tinha boa relação com a matemática”, mas não esconde que, se os gostos fossem outros, Medicina teria sido uma opção. Após um interregno na vida académica para melhoria de notas e, igualmente, para ajudar os pais os quais, entretanto, aumentaram o volume de negócio, ingressa na Universidade de Coimbra, em 1989. A primeira opção era Direito, no
entanto, por décimas, entrou na segunda, Filosofia, uma realidade que, confessa, foi o melhor que lhe poderia ter acontecido: “na altura tive colegas que no segundo ano pediram para trocar de curso mas eu cheguei lá e já não queria. Porque tinha encontrado aquilo que eu gostava mesmo, aquela necessidade de querer saber e perceber. Apesar de, na altura, o curso só ter como saídas profissionais as de ser professor, investigador ou autor, eu percebi que aquela matéria, com a ajuda de um conjunto de professores, a Filosofia era o que queria…e não me arrependi. Foi uma conjugação de conhecimento e saberes que me permitiram ter a elasticidade suficiente para perceber o mundo de outra forma”.
Em 2005 concluiu o Mestrado em Ciências de Educação, na Área de Especialização – Psicologia Educacional, pela Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação, da Universidade de Coimbra, com a Dissertação: “Carta(s) Educativa(s) – Que realidade? O caso de Montemor-o-Velho?”. Por esta altura já tinha leccionado as disciplinas de Filosofia e Psicossociologia em Penalva do Castelo e, posteriormente, já no Instituto Tecnológico e Profissional de Cantanhede exerce as funções de Director pedagógico durante cerca de seis anos.
Para Pedro Machado “a vida política sempre foi um apelo” e, também por isso, a partir de 2001 integra três mandatos como vice presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, numa experiência que considera ter sido muito gratificante. “Permite a um cidadão que queira realizar obra, que tenha projectos para os poder concretizar. Prever, planear, programar e construir. Isso uma autarquia pode fazer. Montemor era um concelho pequeno com grandes heterogeneidades e, embora pequeno, tinha muitos problemas sociais. Foi uma experiência  enriquecedora e dá-nos uma experiência grande com a administração pública permitindo o contacto com as pessoas, algo que sempre gostei e continuo a gostar. É uma aprendizagem, uma escola de vida”, conclui o dirigente. Quando, em 2013, se coloca a questão da eventual sucessão na autarquia, Pedro Machado opta por não se recandidatar mas admite ter sido uma decisão difícil: “eu já estava no Turismo desde 2006, o que significa que ainda acumulei as duas funções, salvaguardando que não recebia qualquer remuneração da câmara de Montemor-o-Velho (podia fazê-lo mas, por razoes óbvias, fiz questão de não ser remunerado) e essa foi uma premissa que fez com que tivesse coabitado com as duas funções. Além disso não podia ter pelouros a tempo inteiro, por isso foi para mim uma decisão difícil porque era cortar um cordão ao qual estive associado durante quase vinte anos já que estive três mandatos como executivo e depois mais dois ainda na assembleia na oposição”.

Na Turismo do Centro de Portugal sucede, então, em 2006, por falecimento de José Manuel Alves e, em 2008, é reeleito quando se dá a primeira reforma administrativa, altura em que o país deixa de ter 19 regiões de turismo e passa a ter 11. A região de Turismo passa assim de 24 para 57 municípios e, em 2013, sai a lei que atribui 100 municípios à Turismo Centro de Portugal. Das profundas alterações que esta marca sofreu ao longo dos anos, o actual Presidente realça o seu “notável crescimento que ronda os 14% quando o país, num todo, cresceu apenas 7%”.

Frequenta, actualmente, o Doutoramento na área de Turismo na Universidade de Aveiro onde também exerce funções no departamento de gestão economia e turismo e, cumulativamente ao cargo de Presidente da Entidade Regional de Turismo do Centro é ainda membro do concelho geral do instituto politécnico de Viseu e é membro cooptado do Instituto Politécnico da Guarda.
Quanto ao futuro a única certeza é a de que, por força da limitação de mandatos, a partir de 2023, Pedro Machado não poderá continuar à frente da Turismo Centro de Portugal. Nessa altura, ainda em idade activa “ e com capacidade e força para continuar a trabalhar, será altura de abraçar novos projectos, os quais poderão passar tanto pelo sector privado como pelo público. 2023 ainda está muito longe e vai ser um desafio para mim que pode passar por muitos caminhos.”

 

E ainda…

“A família é, normalmente, quem sofre. Procuro, sempre que possível e com documentos bem comprovados, fazer-me acompanhar da família a uma deslocação a outro país. Tento aos fins de semana estar com eles o máximo de tempo possível em particular com a minha mulher e filho. Quem está nestas funções sabe que a família é sempre a mais prejudicada. É evidente que ver o meu filho crescer não é recuperável mas tenho consciência que, daqui a cinco anos vou fazer outra coisa, e conseguirei compensar. É um privilégio o apoio que a família sempre prestou.”
“Era bom aluno, não por estar a dizê-lo em causa própria, mas ainda hoje sou muito metódico. A organização faz parte do sucesso. Ter a agenda feita, e as coisas pensadas sempre foi uma das características que tive.”
“A Turismo Centro de Portugal de 2013 a 2018 sofre alterações profundas. Passa de uma marca sem projecção para uma marca reconhecida por todos o que é bem visível nos prémios que temos recebido, pelo reconhecimento de entidades e organismos e pelos indicadores de crescimento. Estávamos nos três milhões de dormidas em 2013…em 2017 já foram cerca de seis milhões. É um número extraordinário. Sim, o país cresceu, mas nem todos cresceram 14 por cento. O país cresceu, em média, sete por cento. Pensemos na Universidade de Coimbra, por
exemplo. Há cinco anos recebia cerca de 200 mil visitantes e hoje são 500 mil. A forma como se estruturou o produto com uma nova  linguagem mais competitiva e apelativa é a grande diferença em relação à década passada.”
“Hoje a marca Centro tem um valor e o presidente também tem outro valor. São palavras de outras pessoas, não minhas. É evidente que, como em tudo na vida, as organizações são muito o espelho de quem as lidera e isto é válido para o turismo, para a universidade para as autarquias… a forma como definimos as orientações estratégias, ‘arrastamos’ as equipas, isso é responsabilidade directa. Não me demito das críticas nem de participar nos louros que a entidade conquistou.”
“Estive presente nas três comissões políticas distritais do professor Calvão da Silva, Paulo Pereira Coelho, nas três comissões políticas distritais de Jaime Soares e sucedi a Jaime Soares durante um mandato à frente da comissão política e distrital de Coimbra. Integrei a JSD, e estive lá até aos trinta anos, que é a data limite para lá estar, tendo desempenhado funções nas comissões políticas concelhias da JSD, na comissão política distrital da JSD, na comissão política concelhia do PSD, na comissão política distrital do PSD e ainda na comissão nacional do PSD… portanto, desde cedo tive essa presença política”.
“Não escondo a ideia de voltar a dar aulas. Neste momento estou dedicado a este mandato, primeiro com a revisão do plano de marketing devido à alteração dos mercados e dos canais de distribuição e nos modelos de negócio e, segundo, no consolidar o crescimento da região. 2023 está muito longe ainda… vai ser um desafio para mim que pode passar por muitos caminhos.”

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