Coimbra  15 de Setembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Museu Machado de Castro integrado no Património Mundial da UNESCO

7 de Julho 2019

O Museu Nacional Machado de Castro, em Coimbra, foi hoje integrado na área classificada pela UNESCO como Património Mundial da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia.

A informação foi confirmada pela própria directora do Museu, Ana Alcoforado, à agência Lusa e a inclusão do Machado de Castro (MNMC) na área classificada como Património Mundial, em 2013, foi decidida na 43.ª Sessão do Comité do Património da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), que está a decorrer em Baku, no Azerbaijão, até 10 de Julho.

O Museu Machado de Castro não foi incluído na área que veio a ser classificada em 2013 por se encontrar em trabalhos de restauro e remodelação na ocasião em que foi apresentada a candidatura do Bem Coimbra, Alta e Sofia a Património da Humanidade.

A intervenção de requalificação do Museu, que decorreu entre e 2004 e 2012, sob responsabilidade do arquitecto Gonçalo Byrne, recebeu o Prémio Piranesi/Prix de Rome, em 2014.

Monumento nacional desde 1910, o espaço do museu foi centro administrativo, político e religioso na época romana, foi templo cristão, pelo menos desde o século XI e paço episcopal a partir da segunda metade do século XII, refere a Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC), na sua página na Internet. Este é “um dos lugares mais complexos e aliciantes da cidade” de Coimbra, acrescenta.

Museu desde 1911, o edifício sofreu “sucessivas obras de adaptação que foram permitindo conhecer a sua história e o valor arqueológico do sítio”, mas só o recente projecto de requalificação e ampliação permitiu “aprofundar e dar visibilidade ao estudo científico do conjunto, graças a um programa global de intervenção que contemplou a arqueologia, a arquitectura e a museografia”, sublinha o Museu.

De referir, por exemplo, que este é “o local onde se conservam inúmeros objetos e testemunhos arquitetónicos de muitos espaços universitários que desapareceram com a construção da Cidade Universitária no século XX”, que foi “residência de muitos bispos que acumularam o cargo de reitor da Universidade” ou onde se encontra “o mais qualificado testemunho” da génese da cidade romana, através do criptopórtico da época romana, destaca o MNMC numa nota hoje divulgada.

Para celebrar a integração do MNMC no Património Mundial da Humanidade, a Universidade de Coimbra e o Museu promovem “um brinde”, esta tarde, na entrada do espaço museológico, aberto aos interessados. Os bilhetes para conhecerem por dentro o Museu são gratuitos durante todo o dia, “para assinalar a sua classificação como Património Mundial”, adiantou Ana Alcoforado.

A directora diz que sente a integração do museu na área classificada como Património Mundial como um “imperativo da cidadania mundial”.

Enquanto “espaço fundacional da cidade, contentor de uma riquíssima materialidade que preserva uma memória histórico-artística comum”, Ana Alcoforado sublinha que “este é um momento de celebrar e de reafirmar a determinação de estar cada vez mais próximo da comunidade que, ao longo de séculos, construiu a nossa identidade, e de abraçar e arquitectar novos desafios”.

A aprovação pelo Comité do Património Mundial da inclusão do Museu Nacional de Machado de Castro na área classificada como Património Mundial permite o reforço do valor excepcional do ‘Bem’ e vem consolidar a realização e redefinição de programas de âmbito cultural e de fruição patrimonial para a “Alta” da cidade, sustenta.

Já o reitor da Universidade de Coimbra considerou que a integração do Museu Machado de Castro na lista do Património Mundial da UNESCO “reconhece e fortalece as estratégias de colaboração” entre a instituição que dirige, a Câmara e o próprio museu.

O reitor, que falou num dia de “grande contentamento e significado”, disse ainda que, com “esta aprovação, se consolida e amplia uma parceria estratégica para a protecção, estudo, divulgação e fruição do património excepcional em presença, agora pertença de toda a Humanidade”.

Portugal passa a contar com 17 bens inscritos na Lista do Património Mundial.

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