Coimbra  26 de Fevereiro de 2021 | Director: Lino Vinhal

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Museu de Arte e Coleccionismo abrirá em Cantanhede antes do final do ano

14 de Fevereiro 2021 Jornal Campeão: Museu de Arte e Coleccionismo abrirá em Cantanhede antes do final do ano

Entrou na fase final de execução a empreitada de reabilitação e adaptação da Casa Municipal da Cultura de Cantanhede, que irá acolher o Museu de Artes e Coleccionismo, constituído por um valioso acervo doado ao município por Cândido Ferreira.

Este projecto, ao qual surge agora justaposto um novo módulo construtivo implantado na área antes ocupada pelas antigas instalações da Escola Técnico Profissional (ETPC), é uma intervenção de fundo que “promove a integração funcional dos dois imóveis através de uma solução arquitectónica e urbanística concebida de acordo com o preconizado no Programa Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU) de Cantanhede, visando a criação de condições para a instalação do MAC – Museu de Arte e Coleccionismo”, revela a autarquia cantanhedense.

Cândido Ferreira, médico natural de Febres, é um coleccionador, reconhecido nacional e internacionalmente pela qualidade e consistência das suas colecções, tendo visitado as instalações do MAC acompanhado por Helena Teodósio, presidente da Câmara Municipal, Pedro Cardoso, vice-presidente da autarquia, e Fernando Batista Pereira, historiador, museólogo, professor associado da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e especialista indicado pelo Instituto dos Museus e da Conservação (IMC). A visita permitiu a Fernando Batista Pereira emitir parecer sobre a viabilidade e sustentabilidade da nova unidade museológica, na sequência do pedido que o Município formulou para o efeito ao Ministério da Cultura.

Da visita resultou a constatação de que tudo que se encaminha para que, “antes do final do ano, seja inaugurado em Cantanhede um equipamento cultural de referência, que reforçará significativamente a atractividade da cidade, do concelho e da região”, afirmou a autarca Helena Teodósio.

Pronunciando-se sobre o curso dos trabalhos, a edil manifestou “satisfação por poder vislumbrar já o que vai ser este projecto tão relevante, quer do ponto de vista cultural, pelo valor patrimonial do espólio do Dr. Cândido Ferreira e por todas as acções pedagógicas que poderão ser desenvolvidas em torno dele, quer ao nível da dinamização da base económica local, pois acreditamos que a afluência de visitantes a Cantanhede irá sofrer um incremento apreciável, com todos os benefícios que daí advirão para a generalidade das actividades directa ou indirectamente relacionadas com o turismo”, salientou.

A líder do executivo camarário cantanhedense adiantou, ainda, “trata-se de uma obra marcante ao nível da valorização de uma frente urbana com expressão assinalável numa das principais zonas nobres da cidade e esse é um aspecto que certamente a população vai valorizar bastante”.

Igualmente agradado ficou o coleccionador, ao considerar que “a obra está excelente” e superou as suas expectativas, tal como a distribuição proposta pelo Professor Fenando Batista Pereira, que “efectivamente criou um estimulante e muito convidativo percurso expositivo das colecções”, notou o também médico.

Referindo ser “um privilégio ter recebido da Câmara Municipal de Cantanhede as atenções que em mais lado nenhum” encontrou, Cândido Ferreira espera “não desiludir” e deseja que o seu espólio “sirva para desenvolver o concelho e aumentar a auto-estima e a qualidade de vida das futuras gerações”.

Segundo o médico e escritor, “o modo como as instalações estão concebidas e organizadas fazem jus à importância das colecções, mas agora falta desenvolver todo o trabalho de musealização e de elaboração de narrativas educativas sobre elas, criando estratégias que permitam dá-las a conhecer ao grande público e explorando todo o seu potencial, pois a sua enorme vastidão obriga a uma grande exigência quanto às opções a fazer nos termos daquilo que será o programa museográfico”.

Isso mesmo refere também o responsável por esse programa, sublinhando que “o MAC tem de oferecer narrativas coerentes e consistentes, construídas a partir da inter-relação entre as diferentes colecções” agrupadas em sete grandes áreas de coleccionismo, designadamente pintura, mobiliário e artes decorativas portuguesas, arqueologia de todas as civilizações, artesanato do mundo, história do dinheiro, história postal, temas de bibliografia e afins e coleccionismo dito popular.

É com base nesta orientação de fundo que Fernando Batista Pereira propõe para o novo museu “a missão de tornar Cantanhede num centro de excelência e de referência nacional e internacional nos estudos sobre o coleccionismo e na salvaguarda da sua prática como dimensão cultural, educativa e lúdica”, conforme refere no parecer preliminar que elaborou sobre a viabilidade e sustentabilidade do projecto.