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“Museu” ao ar livre na Baixa de Coimbra quer quebrar o estigma da doença mental

7 de Outubro 2020 Jornal Campeão: “Museu” ao ar livre na Baixa de Coimbra quer quebrar o estigma da doença mental

Sara Pimentel, coordenadora da USO; Paulo Santos, presidente da Fundação Beatriz Santos; Assunção Ataíde, presidente da APBC; e Seixas Peixoto, responsável pelas actividades artísticas na USO

 

Os trabalhos executados pelos utentes da Unidade Sócio-Ocupacional (USO), sediada na Fundação Beatriz Santos (em Lordemão), vão estar expostos nas ruas da Louça e Corvo, no largo do Poço e no espaço comercial A Camponeza, na Baixa de Coimbra, durante o próximo sábado (10), em que se assinala o Dia Mundial da Saúde Mental.

A exposição “Mind&Art”, que conta com o apoio da Agência para a Promoção da Baixa de Coimbra (APBC), pretende chamar a atenção para as doenças mentais, demonstrando o talento de pessoas com esquizofrenia e bipolaridade, nomeadamente nas áreas da pintura e poesia, mas também escultura, pirografia, artesanato, etc.

Em exposição estarão centenas de trabalhos: cerca de 30 ao ar livre, nas ruas, e mais de 100 no interior d´A Camponeza, que ficarão patentes até meados de Novembro.

Paulo Santos, presidente da Fundação Beatriz Santos, explicou que “a inclusão das pessoas com doenças mentais é uma prioridade” para a instituição que lidera, adiantando que esta “é uma iniciativa que visa a homenagem a estas pessoas, precisamente no Dia Mundial da Saúde Mental”.

“Temos a obrigação e a gratidão perante estas pessoas diferentes, mas que através de uma tela [por exemplo] demonstram que são tão capazes como qualquer outra”, afirmou.

Assunção Ataíde, presidente da APBC, afirmou na apresentação da iniciativa conjunta que “todos somos diferentes e estas pessoas devem ser acarinhadas e incluídas na sociedade todos os dias, aproveitando as oportunidades que surjam e para as quais tenham capacidade”. Para além de dar a conhecer estes talentos, a APBC associa-se a esta efeméride mundial e a este dia especial para a USO da Fundação Beatriz Santos, aproveitando para “chamar os conimbricenses à Baixa, a conhecer os vários espaços comerciais e a integrar estas pessoas na comunidade”.

Também o pintor Seixas Peixoto, responsável pelas actividades artísticas da Unidade, destacou a importância de dar a estas pessoas “o suporte que precisam para a sua integração no meio social, até que encontrem o seu caminho” e, notou, “potenciar a capacidade de cada um ‘per si’, dando estas hipóteses a gente que é tão ou melhor do que qualquer um de nós”.

A USO, que foi criada há três anos e é pioneira no apoio a doentes mentais na região de Coimbra, conta, actualmente, com 30 utentes, entre os 35 e os 60 anos, pessoas com diversa formação académica e família constituída. Nesta Unidade são acompanhados por uma vasta equipa multidisciplinar que os estimula “para que se sintam autónomos e assim reduzir o estigma que recai sobre si, bem como para terem – eles e as famílias – melhor qualidade de vida”, realçou a coordenadora da Unidade e psicóloga clínica, Sara Pimentel.

“Tentamos reabilitar e promover a saúde deles, responder às suas necessidades e das famílias que sofrem tanto como eles”, disse a responsável, sublinhando que esta iniciativa permite “mostrar à sociedade que as pessoas com problemas de saúde mental têm uma voz e estes trabalhos são essa voz”.

No dia 10 (sábado), entre as 10h00 e as 18h00, vai ser possível apreciar o trabalho desenvolvido por estas pessoas durante as actividades artísticas na USO, marcando muitos deles presença nos locais de exposição e, alguns estarão inclusivamente a trabalhar ao vivo.

Os trabalhos patentes n´A Camponeza ali permanecerão até meados de Novembro (entre as 11h00 e as 00h00), convidando todos a uma visita mediante cumprimento de todas as normas exigidas pelas autoridades de saúde.