Coimbra  2 de Julho de 2020 | Director: Lino Vinhal

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Muitos estudantes de Coimbra encontram-se em vulnerabilidade económica

8 de Junho 2020 Jornal Campeão: Muitos estudantes de Coimbra encontram-se em vulnerabilidade económica

A Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra (FEUC) realizou um estudo com os seus estudantes, concluindo que “uma parte significativa se encontra em situação de vulnerabilidade económica devido à pandemia de covid-19”.

Estes são os primeiros resultados deste estudo, realizado por duas investigadoras daquela Faculdade, e que contou com a participação de 440 estudantes de licenciatura e mestrados da FEUC (Economia, Gestão, Sociologia e Relações Internacionais).

O objectivo desta investigação foi o de “avaliar a vulnerabilidade económica das famílias dos estudantes da FEUC decorrente da pandemia covid-19, e como estão os estudantes a adaptar-se ao contexto, nomeadamente compreender como percepcionam a passagem a um regime de ensino a distância atendendo à avaliação que fazem das suas condições de estudo nas suas residências familiares”, explicam as autoras, Rita Martins e Patrícia Moura e Sá.

“Ainda que para já o número de casos de desemprego directamente imputável à covid-19 seja bastante reduzido, verifica-se que 15,5 por cento dos agregados têm, pelo menos, um elemento com actividade suspensa e que há 19,3 por cento das famílias com pelo menos um membro em ‘lay-off’. Tendo em conta a correspondente redução de rendimentos e o risco de desemprego futuro, pode-se assim dizer que uma proporção significativa de estudantes está, pelo menos circunstancialmente, em situação de vulnerabilidade económica”, esclarecem as investigadoras do CeBER (Centre for Business and Economics Research) da FEUC.

Em relação às consequências sobre a vida académica, segundo o estudo, praticamente três quartos dos participantes consideram ter menos condições para obter sucesso académico. Entre os constrangimentos apontados, destacam-se a compreensão das matérias leccionadas à distância (43 por cento) e as condições em termos de espaço físico para trabalhar com algum sossego (26 por cento).

Contudo, “apenas cinco por cento dos inquiridos admite como bastante provável a hipótese de interromper os estudos, ao passo que cerca de 20 por cento admite como muito provável a hipótese de prolongar os estudos e entrar no mercado de trabalho mais tarde”, nota o estudo. As decisões quanto à mobilidade internacional parecem ter sido bastante afectadas – um terço considera que não terá condições de o vir a efectivar no próximo ano, e entre os que pretendiam fazê-lo no futuro, 43 por cento indica que a probabilidade de o concretizar foi afectada pela pandemia.

Para o diretor da Faculdade de Economia, Álvaro Garrido, este estudo permite “obter informação muito relevante para um diagnóstico dos efeitos sócio-económicos da covid-19 nos cerca de 3 000 estudantes da FEUC. Esta monitorização, quase uma radiografia social, é fundamental para conhecermos a nossa realidade e para podermos apoiar os estudantes. Intuitivamente, ou de maneira impressiva, sabemos que muitos estudantes vivem situações difíceis e que as desigualdades se agravaram com a pandemia. Esses impactos são dinâmicos e quase silenciosos, daí que seja importante conhecer os dados e identificar padrões”.

“Contando com o apoio da UC e dos Serviços de Acção Social da Universidade de Coimbra (SASUC), a FEUC vai incentivar o aprofundamento deste estudo e promover outros diagnósticos de auto-conhecimento”, conclui.

A recolha dos dados decorreu entre 24 de Abril e 13 de Maio, através de inquérito aos estudantes matriculados em 2019/2020 na Faculdade Economia da UC. Em relação à área de residência, 55 por cento dos respondentes residem fora do distrito de Coimbra e 32 por cento no concelho de Coimbra.

No âmbito das medidas a tomar para lidar com o impacto financeiro da covid-19, 74 por cento dos estudantes que suportam encargos com renda para residir em Coimbra durante o período escolar, à data do inquérito, afirmaram continuar a suportar despesas de alojamento apesar da actividade lectiva presencial ter sido totalmente suspensa.

 

Rita Martins - FEUC

Rita Martins

 

Patrícia Moura e Sá - FEUC

Patrícia Moura e Sá