Coimbra  11 de Dezembro de 2019 | Director: Lino Vinhal

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Mosteiro de Santa Clara-a-Velha pronto em meados de 2021

28 de Novembro 2019

Bruno Paixão, da Fundação INATEL; Isabel Damasceno, da DCCRC; Ângela Ferreira, secretária de Estado; Carina Gomes, vereadora da Cultura de Coimbra; e Susana Menezes, directora regional da Cultura do Centro

 

As inúmeras intervenções para requalificação do no Mosteiro de Santa Clara-a-Velha, na sequência das inundações de 2016, vão ter início em Janeiro e prolongar-se-ão durante um ano e meio.

O monumento estará, por isso, totalmente operacional e recuperado só em meados de 2021, com um investimento que chega ultrapassa o meio milhão de euros (549 605 euros), financiado pelo Programa Operacional Regional Centro 2020.

A consignação da obra foi assinada, hoje, no Centro Interpretativo do Mosteiro, na presença da secretária de Estado Adjunta e do Património Cultural, Ângela Ferreira, e numa sessão na qual a directora regional da Cultura do Centro, Susana Menezes, explicou as intervenções a realizar nos próximos 18 meses.

A responsável pela Cultural na região recordou “a conflituosa relação do Mosteiro com as águas do Mondego, remontando a 1331 o registo da primeira grande cheia” e registando-se várias outras ocorrências ao longo dos vários séculos.

“Inicia-se neste momento uma das mais extensas e complexas obras de recuperação, restauro e valorização efectuadas em Portugal, que permitiram a abertura, em 2009, do Mosteiro de Santa Clara-a-Velha e do centro interpretativo”, explicou Susana Menezes, adiantando que “apesar deste projecto ter incluído uma solução técnica de contenção das águas, a relação com o Mondego manteve-se frágil dada a posição vulnerável do monumento relativamente à cota actual do leito do rio”.

O ano de 2016 voltou a trazer as águas até ao monumento nacional, provocando, entre outros, “desmoronamentos, acumulação de líquenes, degradação de paramentos pelo acumular de água, danos vários em percursos de visita e meios de acesso, danos nas instalações eléctricas e mecânicas e inutilização do depósito de materiais arqueológicos”.

Após um primeiro concurso público sem concorrentes, em Fevereiro deste ano, voltou a ser lançado segundo procedimento concursal em Setembro, com um reforço de verba em cerca de 200 000 euros.

Segundo a responsável, “este projecto visa, essencialmente, a conservação do edifício classificado e a beneficiação e valorização dos espaços envolventes que ficaram danificados com as cheias, de modo a restituir a este belíssimo lugar as condições de visita que existiam anteriormente”.

Isabel Damasceno, vogal executiva do Centro2020, destacou a importância de um monumento como este, um “património ímpar em Coimbra, que encerra um historial riquíssimo, que faz parte da nossa identidade e das nossas referências, que são essenciais para nos prepararmos para o presente e para o futuro”.

“Esta é uma obra de grande sensibilidade e esperemos que esta intervenção venha a contribuir para evitar que se volte a repetir algo do género, pelo menos nos próximos tempos”, afirmou Isabel Damasceno, reforçando que “a aprovação da candidatura foi muito importante e é a solidariedade da Europa que aqui aparece”.

Ângela Ferreira afirmou sentir-se feliz por se dar início a “um projecto que, há tanto tempo, a cidade e todos almejavam alcançar”.

A governante destacou a importância deste “monumento nacional, com o maior claustro gótico português”, que pedia “obras urgentes de reparação e garantia e protecção face às alterações climáticas, que assegurem a defesa e a preservação da integridade deste património, que é um tesouro cultural e patrimonial da maior relevância, quer do ponto de vista histórico e arquitectónico”.

“O património arquitectónico deve ser o presente e o futuro, visível e visitável, em condições dignas, que deem a conhecer a herança cultural portuguesa e promovam o conhecimento e protecção de lugares históricos”, sublinhou, concluindo: “o objectivo é tornar o património verdadeiramente de todos nós”.

A secretária de Estado reforçou o “esforço partilhado e participado” das várias entidades envolvidas para conservar um património “que é alavanca para o desenvolvimento de lugares e territórios e fundamental para a coesão social, consistência territorial e desenvolvimento económico”.

Em traços gerais, as intervenções no Mosteiro incluem trabalhos:

– Na igreja (recuperação e recolocação dos degraus de madeira do coro e fixar as chapas de pavimento soltas; envernização do soalho da zona do coro alto; trabalhos de conservação e restauro no terreno desagregado sob o coro e no piso superior e uma intervenção de limpeza na fachada Norte, para valorização dos desenhos nela inscritos);

– No claustro (nivelamento do pavimento em áreas de maior irregularidade, consolidação de muretes em desagregação e reposição de elementos pétreos em falta que possam dar maior legibilidade aos elementos arquitectónicos);

– Conservação e restauro (intervenção na totalidade dos paramentos, que foram sujeitos a uma elevada proliferação de fungos, ficando integralmente danificados; nos elementos pétreos exteriores e interiores das empenas, paramentos verticais e fachadas – da torre sineira, dos pórticos, portais e vãos, dos contrafortes; claustro e dependências anexas serão alvo da aplicação de biocida, limpeza, tratamento de juntas e fissuras e aplicação de hidrofugante; aplicação de biocida em revestimentos em reboco, exteriores e interiores; limpeza, reparação de destacamentos e descontinuidades, colmatação de fissuras, fendas, lacunas e juntas; limpeza profunda dos ladrilhos cerâmicos do pavimento do pátio e do pavimento da antiga Sala do Capítulo, os degraus do corredor do claustro e da dependência Sul terão uma limpeza profunda e a aplicação de biocida e herbicida, tratamento de juntas e preenchimento de lacunas; limpeza, aplicação de biocida, fixação de vidrado, tratamento de juntas e reassentamento nos azulejos de padrão hispano-mourisco espalhados pelo complexo, nos azulejos das floreiras, no reservatório e no fontanário do pátio do claustro);

– No recinto (serão efectuados trabalhos nos portões exteriores, para reforçar a sua estanquidade; consolidação de muros em alvenaria de pedra, localizados no limite nascente, e à construção de secções novas na mesma zona; execução de um sistema de drenagem destes muros, assim como do espaço exterior da cabeceira da igreja e caminho medieval; reabilitação dos passadiços em “deck” de madeira);

– Construção de um pequeno armazém para acolher o espólio arqueológico, aproveitando os muros já existentes, resultando numa estrutura de baixo impacto visual, que vem substituir o anterior que ficou também profundamente danificado e deixou de reunir as condições ambientais e de segurança necessárias para cumprir a sua função de reserva do espólio arqueológico;

– Reparação da rede eléctrica, do sistema de iluminação, do sistema de rega e do sistema de vigilância, “fundamental para visualizar uma eventual e repentina inundação causada por falha nas bombas ou fortes chuvas”, bem como reparação das bombas respectivos comandos na zona da igreja;

– No Centro Interpretativo (reparação dos sistema de limpeza do espelho de água).

mosteiro Sta Clara a Velha

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