Coimbra  18 de Agosto de 2019 | Director: Lino Vinhal

Semanário no Papel - Diário Online

 

Morreu Manuel Louzã Henriques

29 de Julho 2019

 

O médico psiquiatra Manuel Louzã Henriques faleceu, hoje, aos 85 anos, no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), onde estava internado há uma semana.

Segundo o editor Adelino Castro referiu à agência Lusa, Louzã Henriques “estava doente há algum tempo”.

Nascido no concelho de Castanheira de Pêra, Louzã Henriques foi uma figura proeminente contra o regime fascista, tendo mesmo sido preso várias vezes, uma delas quando era estagiário de Medicina e membro da República Palácio da Loucura.

Foi condenado a pena maior e medidas de segurança, que cumpriu no Forte de Peniche, agora Museu Nacional da Resistência e da Liberdade, de onde saiu ao fim de três anos e meio. Só depois concluiu a licenciatura e a especialidade em psiquiatria, mas foi impedido de integrar as carreiras médicas.

Em 1958, já então jovem militante do PCP, envolveu-se na candidatura à Presidência da República de Arlindo Vicente e depois, com a desistência deste a favor de Humberto Delgado, apoiou o “General Sem Medo”.

Após o 25 de Abril de 1974, já a exercer a profissão no seu consultório particular, foi convidado a exercer a docência na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), o que fez durante algum tempo.

Louzã Henriques recuperou a casa de xisto dos seus antepassados no Candal, na Lousã, onde foi visitado pelo líder comunista Álvaro Cunhal em 1991, no âmbito da comemoração do II Congresso Ilegal do PCP, realizado neste concelho do distrito de Coimbra, no rescaldo da II Guerra Mundial, em 1946.

Com fortes ligações à Lousã (onde tem um Museu com o seu nome, com colecções únicas em Portugal), Louzã Henriques era militante do Partido Comunista Português (PCP) e residia actualmente em Coimbra.

O corpo de Manuel Louzã Henriques estará em câmara ardente, hoje, a partir das 16h00, na igreja de S. José, em Coimbra, sendo que o funeral decorre amanhã (30), seguindo-se a cremação, pelas 11h00, no Complexo Funerário Municipal de Coimbra, em Taveiro.

Em comunicado, o PCP lamenta a morte do seu militante, recordando a importância do exemplo de Louzã Henriques “na luta em defesa da Cultura enquanto direito, na luta contra o fascismo, pelas conquistas e valores de Abril no futuro de Portugal e pela construção de uma sociedade nova, sem exploradores, nem explorados”.

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